Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Davi Alcolumbre de olho nas eleições…do senado, em 2027

Ao segurar a tramitação da PEC do fim da escala 6×1, presidente do Senado preserva uma poderosa moeda de negociação

Por Bruno Rizzi | Atualizado em
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Na pauta, PL 3.780/2023 que "altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a fim de majorar as penas previstas para os crimes de furto, roubo, receptação, receptação de animal e interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública, bem como para tipificar os crimes de recepção de animal doméstico e de fraude bancária". Mesa: presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A expectativa de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avançasse na tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 não se confirmou. Apesar da pressão de parlamentares e da mobilização de setores da base governista, o senador não designou relator nem definiu o rito de tramitação da proposta, mantendo o texto em compasso de espera.

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Enquanto posterga uma decisão sobre a matéria, Alcolumbre concentrou esforços na interlocução com o Palácio do Planalto. Ao longo do dia, recebeu na residência oficial os ministros Bruno Moretti, da Secretaria de Orçamento Federal, Dario Durigan, da Fazenda, e José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais. 

Na pauta, a preocupação do governo com projetos de forte impacto fiscal que avançam no Congresso Nacional. O presidente do Senado também se reuniu com o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).

Nos bastidores, a avaliação é que Alcolumbre aguarda uma conversa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro serviria para reduzir tensões acumuladas nas últimas semanas, especialmente após divergências envolvendo indicações para tribunais superiores, além de alinhar a agenda de votações consideradas prioritárias pelo governo.

A estratégia de adiar as definições sobre a PEC do fim da escala 6×1 não parece casual. Ao evitar acelerar a tramitação neste momento, Alcolumbre empurra uma eventual deliberação para um cenário político mais adiante, potencialmente já sob influência do ambiente eleitoral de 2026. Com isso, preserva margem de manobra sobre um tema que mobiliza sindicatos, trabalhadores e parte expressiva da opinião pública.

O cálculo político também leva em conta a própria posição do senador. Eleito em 2022, Alcolumbre integra o grupo de um terço dos senadores que só voltará às urnas em 2030. Isso reduz eventuais custos eleitorais imediatos decorrentes da decisão de retardar o avanço da proposta.

Mais do que administrar a pauta legislativa do presente, o presidente do Senado parece mirar a sucessão da própria Casa. Caso a PEC continue sem definição até a conclusão do próximo ciclo eleitoral, caberá a ele decidir se o texto será pautado, acelerado ou mantido em espera já com o novo cenário político nacional definido. 

Trata-se de um instrumento de poder relevante, capaz de ampliar sua capacidade de negociação tanto com o governo quanto com diferentes grupos políticos.

Nesse contexto, o controle sobre matérias de grande repercussão social pode se transformar em ativo estratégico para a disputa pela presidência do Senado em 2027. Ao manter sob sua influência temas sensíveis e de alto interesse público, Alcolumbre preserva uma moeda política valiosa para a próxima batalha pelo comando da Casa Alta.

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