Uma das principais apostas da ciência brasileira no combate ao câncer deu mais um passo rumo à utilização em larga escala. A terapia genética CAR-T Cell passou a integrar o fluxo prioritário de avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que pode acelerar a análise necessária para a aprovação do tratamento no país.
A tecnologia está sendo desenvolvida por pesquisadores brasileiros e conta com investimento de R$ 100 milhões do Ministério da Saúde. A iniciativa reúne equipes da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, da Fundação Hemocentro e do Instituto Butantan.
Diferentemente dos tratamentos tradicionais, a terapia utiliza células de defesa do próprio paciente. Os linfócitos T são retirados e modificados em laboratório para reconhecer e atacar células cancerígenas com maior precisão.
Os estudos clínicos concentram-se inicialmente em pacientes com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B que não responderam aos tratamentos convencionais. Resultados preliminares indicam que cerca de 90% dos participantes apresentaram redução expressiva ou desaparecimento dos tumores após o procedimento.
Além do potencial terapêutico, a produção nacional pode reduzir significativamente os custos do tratamento. Atualmente, a terapia é comercializada no exterior por valores superiores a R$ 2,5 milhões por paciente. Com a fabricação realizada no Brasil, a expectativa é diminuir o custo para uma fração desse valor.
O acompanhamento da Anvisa ocorre paralelamente às etapas do estudo clínico para agilizar a avaliação de segurança e eficácia. O projeto prevê o atendimento de pelo menos 100 pacientes antes da conclusão da pesquisa.
A expectativa é que, após a consolidação dos resultados e eventual aprovação regulatória, a terapia possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde, ampliando o acesso de pacientes a um tratamento considerado inovador no combate ao câncer.
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