Com 98,207% das urnas abertas e contabilizadas, o Peru ainda não sabe quem será seu próximo presidente. Até as 0h42 de quinta-feira (10/06), Keiko Fujimori somava 50,001% dos votos válidos no segundo turno, contra 49,999% de Roberto Sánchez. A diferença entre os dois: 651 votos.
A autoridade eleitoral peruana alertou que o resultado final pode levar mais alguns dias. O sistema de apuração usa cédulas de papel, o que torna a contagem mais lenta. O país tem 27,33 milhões de eleitores aptos.
Como a disputa chegou a esse ponto
Os primeiros dados oficiais foram divulgados pelo órgão eleitoral peruano na noite de domingo (7), por volta das 22h. Naquele momento, Fujimori abria vantagem de cinco pontos percentuais. Ao longo da madrugada e da manhã seguinte, a margem foi encolhendo. Na segunda-feira (8), às 7h, a diferença já era inferior a um ponto percentual.
A base de apoio de Sánchez, deputado pelo Juntos pelo Peru (partido de esquerda), está concentrada em zonas rurais e regiões mais afastadas dos centros urbanos, áreas que tendem a ser apuradas por último. Isso explica a virada gradual nos números ao longo dos dias.
A apuração dos votos emitidos fora do Peru ainda estava em 67,36% na quarta (10). Nesse recorte, Fujimori leva vantagem expressiva: 62,46% contra 37,54% de Sánchez.
Quem são os candidatos
Keiko Fujimori, fundadora do partido Força Popular (criado em 2008), disputa a presidência pela quarta vez. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela foi derrotada no segundo turno em 2011, 2016 e 2021. No primeiro turno de 2026, obteve 17,2% dos votos válidos.
Sánchez chegou ao segundo turno com 12% dos votos no primeiro turno. A eleição de 2026 bateu recorde de candidaturas: 35 postulantes disputaram a presidência na primeira fase.
Crise política de fundo
A disputa acirrada reflete um cenário político fraturado. O Peru teve 9 presidentes em 10 anos, período em que os mandatos constitucionais deveriam durar cinco anos cada. Segundo pesquisas, 90% dos peruanos dizem ter pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional. Apenas 10% afirmam estar satisfeitos com o funcionamento da democracia no país.




