O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira (12/06) em leve queda de 0,21%, aos 171.132,66 pontos, registrando uma perda marginal de 364,58 pontos. O principal índice da B3 chegou a abrir o dia em alta e flertou com os 171,8 mil pontos em meio ao forte apetite por risco global, impulsionado pela perspectiva de um acordo diplomático histórico entre Estados Unidos e Irã.
Contudo, o humor local azedou após a divulgação de dados de inflação acima das estimativas no Brasil, o que motivou uma realização de lucros antes do fim de semana.
O IPCA de maio registrou alta de 0,58%, superando o teto das projeções do mercado, que orbitavam em torno de 0,53%. Com o resultado, o acumulado em 12 meses acelerou para 4,72%, furando o teto da meta. A forte pressão veio dos grupos de alimentação, bebidas e energia elétrica, que anularam completamente a deflação observada nos combustíveis.
O dado trouxe desconforto em relação aos próximos passos da política monetária do Banco Central, limitando o rali de ações cíclicas. O índice de volatilidade (VIX) subiu 1,11%.
No exterior, o clima foi de alívio. O texto preliminar do acordo entre Washington e Teerã prevê a reabertura do Estreito de Ormuz antes da cúpula do G7, além de discussões para o alívio de sanções e monitoramento do programa nuclear. Essa trégua iminente derrubou as cotações internacionais do petróleo, o que acabou pesando sobre as petroleiras na bolsa local.
Privatização da Copasa movimenta bilhões; Azul despenca
O principal foco do ambiente corporativo foi a precificação da Copasa (CSMG3) na B3. A oferta pública de ações que selou a privatização da estatal mineira movimentou R$ 8,4 bilhões, com os papéis precificados a R$ 49,03. O processo consolidou a Equatorial (EQTL3) como a investidora de referência, detendo 30% do capital votante. No pregão, as ações da Copasa fecharam em queda de 4,22% (movimento tradicional de ajuste ao preço fixado no bookbuilding), enquanto a Equatorial subiu 0,44%.
Ainda na ponta positiva, a Eztec (EZTC3) avançou 2,85% após o conselho de administração aprovar um novo programa de recompra de até 12,01 milhões de ações ordinárias (10% dos papéis em circulação). Na contramão, a Petrobras (PETR4) recuou 1,39%, realizando lucros diante da queda do petróleo no exterior, apesar de a presidente Magda Chambriard ter confirmado que o poço Morpho, na Margem Equatorial, está a apenas mil metros do reservatório principal.
O grande destaque negativo do dia ficou com o setor aéreo. As ações da Azul (AZUL99 e AZUL97) desabaram 19,07% e 17,43%, respectivamente, liderando as maiores baixas da sessão em meio a temores operacionais e ajustes técnicos fortes.
Dólar
O dólar comercial engatou o segundo dia consecutivo de forte desvalorização, encerrando a sexta-feira em queda de 0,77%, cotado a R$ 5,062 na venda. A moeda operou com forte volatilidade, registrando a máxima de R$ 5,118 e a mínima de R$ 5,058.
O tombo da divisa americana foi alimentado pelo otimismo global com o avanço diplomático no Oriente Médio, que esvaziou a busca por proteção na moeda norte-americana no exterior. Internamente, embora o IPCA mais salgado pese na bolsa, ele reforça a leitura de que o Banco Central manterá a taxa DI restritiva em 14,40% por bastante tempo.
Esse elevado diferencial de juros doméstico atuou como um forte ímã de capital estrangeiro, acelerando a queda do dólar para perto do suporte de R$ 5,05.
O Ibovespa encerra a semana defendendo o patamar dos 171 mil pontos, mostrando que a rotação para ativos domésticos encontrou uma barreira temporária no IPCA mais salgado.
A precificação bilionária da Copasa injeta uma liquidez robusta no mercado e chancela o apetite institucional por grandes teses de infraestrutura e saneamento no Brasil.
Com a curva de juros reagindo à aceleração da inflação em 12 meses para 4,72%, o mercado deve iniciar a próxima semana focado em discursos de dirigentes do Banco Central.
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