No último dia do prazo, defesa de Bolsonaro pede ao STF redução da pena por tentativa de golpe

No documento, os advogados afirmam que houve cerceamento de defesa, falhas no cálculo das penas e uso de uma delação “viciada e contraditória” do tenente-coronel Mauro Cid

Por Redação TMC | Atualizado em
Imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o interrogatório dele no STF no processo que apura tentativa de golpe de estado
Imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro durante o interrogatório dele no STF no processo que apura tentativa de golpe de estado. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a redução da pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

No documento, os advogados afirmam que houve cerceamento de defesa, falhas no cálculo das penas e uso de uma delação “viciada e contraditória” do tenente-coronel Mauro Cid.

O pedido, protocolado na forma de embargos de declaração, também solicita a redução da pena. O prazo para apresentação dos recursos terminou nesta segunda-feira (27).

Segundo os advogados, o julgamento da Primeira Turma do STF contém omissões e contradições que precisam ser corrigidas.

A defesa pede que o tribunal reconheça a sobreposição entre os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, argumentando que ambos se referem ao mesmo conjunto de fatos e não poderiam gerar punições separadas.

O que são embargos de declaração

Os embargos de declaração são um tipo de recurso voltado a corrigir omissões, erros ou contradições em decisões judiciais. Na maioria das vezes, não alteram o resultado final, mas podem ajustar pontos específicos.

Em setembro, Bolsonaro foi condenado por cinco crimes:

  • Golpe de Estado;
  • Tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito;
  • Organização criminosa armada;
  • Dano qualificado;
  • Deterioração de patrimônio tombado.

Defesa reclama de falta de tempo e de acesso a provas

A equipe jurídica do ex-presidente sustenta que não teve prazo suficiente para analisar o volume de provas, estimado em mais de 70 terabytes de dados.

Segundo os advogados, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, negou pedidos de adiamento de audiências, o que teria comprometido o direito de defesa e o equilíbrio processual.

Críticas à delação de Mauro Cid

O recurso também contesta a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
A defesa afirma que o depoimento foi obtido sob pressão, apresenta contradições e não deveria ter servido como base central da condenação.

“A suposta prova da ciência do ex-presidente é um áudio enviado por Mário Fernandes a Mauro Cid, citando um encontro ocorrido um mês depois. Afirmações que prescindem da lógica não constituem prova”, diz a petição da defesa.

O que vem por aí

O STF não tem prazo definido para julgar o recurso. O caso será encaminhado ao relator Alexandre de Moraes, que poderá solicitar manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de levar o processo a julgamento.

A expectativa é que Moraes peça ao presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino, que marque a análise dos embargos.

Caso os recursos sejam considerados protelatórios, o Supremo poderá determinar o início da execução da pena, o que incluiria a prisão de Bolsonaro.

Nos bastidores, a previsão é que os embargos sejam analisados até o fim do ano.

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