Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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Lula em busca do ganha-ganha na relação com os EUA

Estratégia do Planalto prevê ganhos de imagem se houver avanços e menor desgaste político caso as tratativas não prosperem

Por Bruno Rizzi | Atualizado em
FILE PHOTO: G7 logos are pictured on the pier ahead of the G7 summit in Evian-les-Bains, France, June 12, 2026. REUTERS/Denis Baliboouse/File Photo

A participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro do G7 concentra as atenções do governo neste início de semana.

Não há grande expectativa sobre encontros bilaterais relevantes ou manifestações públicas envolvendo Donald Trump. As negociações entre Brasil e Estados Unidos seguem ocorrendo por canais institucionais.

Ainda assim, a relação entre os dois países continuará no centro de temas estratégicos, como minerais críticos, data centers, inteligência artificial e comércio internacional.

No Palácio do Planalto, a avaliação é de que o discurso em defesa da soberania nacional continua encontrando receptividade em parcelas importantes da opinião pública.

Por isso, os movimentos do presidente no cenário internacional também são planejados levando em conta seus reflexos políticos internos.

Nesse contexto, integrantes do governo enxergam um cenário favorável para Lula.

Caso haja algum avanço nas tratativas com Washington – especialmente em relação ao adiamento da tarifa adicional de 25% prevista para entrar em vigor em julho o governo poderá apresentar o resultado como fruto da atuação diplomática do presidente.

A leitura é que Lula demonstraria capacidade de influência e interlocução em um tema sensível para setores da economia brasileira.

Por outro lado, se não houver mudanças no cronograma das medidas tarifárias, a estratégia governista tende a seguir outro caminho.

Aliados do presidente devem reforçar o discurso de que a deterioração da relação com os Estados Unidos foi agravada por iniciativas anteriores de integrantes do campo bolsonarista.

Nesse raciocínio, parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro passariam a ser apontados como corresponsáveis pelos prejuízos causados às empresas exportadoras brasileiras.

No fim das contas, a avaliação dentro do governo é de que a agenda internacional oferece oportunidades políticas em qualquer desfecho das negociações.

Se houver avanço, o mérito poderá ser atribuído à atuação do presidente. Se não houver, o Planalto acredita ter condições de direcionar o desgaste para adversários políticos.

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