O boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central, mostrou nova revisão para cima na expectativa de juros básicos neste ano, nesta segunda-feira (22/06). A taxa Selic, referência para empréstimos, financiamentos e investimentos, passou de 13,75% para 14,00% nas estimativas do mercado financeiro para aquele ano.
É a terceira semana seguida em que analistas e instituições financeiras elevam essa projeção. Na prática, juros mais altos encarecem o crédito: parcelas de financiamento imobiliário, de carro e de cartão de crédito tendem a ficar mais pesadas quando a Selic sobe.
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medida oficial da inflação brasileira, também teve sua projeção revisada. Para 2026, a estimativa avançou de 5,30% para 5,33%, e já acumula 15 semanas consecutivas de revisões positivas, segundo o Focus.
Para os anos seguintes, o mercado também vê pressão. A projeção de IPCA para 2027 subiu de 4,10% para 4,15%. Para 2028, o número foi de 3,68% para 3,70%. Apenas em 2029 a inflação esperada ficou parada, em 3,50%, marca mantida pela 42ª semana seguida.
O IGP-M (Índice Geral de Preços, Mercado), usado como referência em reajustes de aluguel, teve comportamento diferente em 2026: recuou de 6,22% para 6,15%, interrompendo duas altas seguidas. Para 2027, avançou levemente de 4,04% para 4,08%. Em 2028, ficou em 3,82% pela sexta semana consecutiva. Para 2029, permaneceu em 3,77%.
Selic nos anos seguintes
As projeções de Selic para os demais anos não sofreram alterações relevantes. Para 2027, o mercado manteve a estimativa em 12%. Para 2028, o número ficou em 10,25%. Já para 2029, a taxa esperada segue em 10,00%, estável há sete semanas.
Os preços administrados, tarifas de energia, água, transporte e outros serviços regulados pelo governo, ficaram em 5,00% para 2026, sem variação. Para 2027, subiram levemente de 3,81% para 3,85%. Em 2028, houve recuo marginal de 3,60% para 3,50%. Para 2029, a projeção permaneceu em 3,50% pelo 49º período consecutivo.
Leia mais: Influente ex-presidente do Fed, Alan Greenspan morre aos 100 anos
PIB em alta, câmbio com ajuste
O PIB (Produto Interno Bruto), que mede o total de riqueza produzida no país, chegou a 1,98% nas estimativas para 2026, quinta semana seguida de melhora. Para 2027, ficou estável em 1,70% pelo quarto período consecutivo. As projeções para 2028 e 2029 permanecem em 2,00% cada: a de 2028 sem mudança há mais de 100 semanas; a de 2029, sem variação há 66 semanas.
No câmbio, a projeção para 2026 ficou em R$ 5,20 por dólar, sem alteração. Para 2027, houve ajuste de R$ 5,25 para R$ 5,27, movimento que encerrou um período de estabilidade nessa estimativa. Para 2028, o dólar esperado segue em R$ 5,30, sem mudança há quatro semanas. Para 2029, a projeção é de R$ 5,40, estável pela primeira semana após revisão anterior.




