A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) foi a público na sexta-feira (19) com uma Carta Aberta dirigida ao Governo Federal. O documento cobra que as regras de importação de carros elétricos e híbridos sejam mantidas sem alterações. A pressão ocorre dias antes de uma reunião decisiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), marcada para a próxima terça-feira (23).
“A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) vem a público reafirmar a importância de se preservar, integralmente, o cronograma de recomposição tarifária para importação de automóveis elétricos e de se manter o fim das cotas de importação de kits para a montagem de veículos sem o devido recolhimento de tributos. As duas medidas são resultado de amplo debate sobre o futuro da política industrial brasileira e representam compromissos assumidos pelo Governo Federal com os fabricantes brasileiros no ano passado. Manter as medidas tal como foram anunciadas é assegurar a previsibilidade e a estabilidade das regras sobre as quais o setor automotivo decidiu investir no país”, declararam.
O que a Anfavea defende
A entidade exige dois pontos. Primeiro, que o cronograma de recomposição das alíquotas siga o calendário original. Segundo, que o fim das cotas de isenção para kits de montagem, chamados de SKD e CKD no jargão do setor, seja mantido. Essas regras foram negociadas em 2023 e revisadas em 2025. “A política de transição das alíquotas de importação para veículos elétricos foi estabelecida em 2023 e aperfeiçoada em 2025 após um profundo processo de discussão entre governo e setor produtivo. O cronograma vigente é uma solução equilibrada, que conciliou o necessário avanço da eletrificação no país com a necessidade de estimular investimentos produtivos no Brasil, capazes de gerar empregos de qualidade, renda para as famílias, inovação e desenvolvimento de longo prazo”.
“Outra evidência alarmante é o crescimento dos estoques. Impulsionados pelos importados, eles chegaram a 150 dias em maio de 2026. Isso mostra que o período de redução de tarifas vem sendo usado por algumas empresas para o abastecimento antecipado, o que certamente distorcerá as condições comerciais oferecidas pelos competidores brasileiros”, completaram.
Para a Anfavea, a manutenção das regras é fundamental para garantir segurança jurídica e preservar investimentos no país. “Por isso, a Anfavea defende: manutenção integral do cronograma de recomposição tarifária já estabelecido, sem postergações; não renovação das cotas de importação com alíquota zero, encerradas em janeiro de 2026; não criação de ex-tarifários ou mecanismos equivalentes à postergação do cronograma; diálogo prévio com a indústria diante de qualquer mudança nas condições que fundamentaram os investimentos anunciados. Alterar as regras na etapa final de sua implementação compromete a confiança de quem investiu com base nelas. Mais do que volumes de produção, está em jogo a capacidade de o Brasil preservar investimentos, ampliar sua competitividade e consolidar-se como polo de engenharia, inovação e desenvolvimento da nova mobilidade”.




