Nos bastidores, a avaliação é de que a divulgação da medida antes da decisão sobre o novo patamar da taxa básica de juros poderia gerar ruídos no mercado financeiro e influenciar as interpretações sobre o cenário econômico em um momento sensível para a política monetária.
O Ministério da Fazenda adiou para depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) o anúncio do chamado Desenrola Adimplentes, nova iniciativa em discussão dentro da equipe econômica voltada à ampliação do crédito para consumidores que mantêm as contas em dia. A informação foi apurada pela TMC Brasília junto a fontes que acompanham as negociações.
Nos bastidores, a avaliação é de que a divulgação da medida antes da decisão sobre o novo patamar da taxa básica de juros poderia gerar ruídos no mercado financeiro e influenciar as interpretações sobre o cenário econômico em um momento sensível para a política monetária.
Segundo interlocutores da área econômica, o Desenrola Adimplentes vem sendo negociado diretamente com instituições financeiras credenciadas junto ao Ministério da Fazenda. A proposta busca ampliar o alcance da política de crédito do governo para um público que não era contemplado pelas versões anteriores do programa, focadas principalmente na renegociação de dívidas de consumidores inadimplentes.
A iniciativa pretende atender brasileiros que mantêm histórico regular de pagamentos ou possuem atrasos considerados de baixo risco pelo sistema financeiro. O objetivo é criar mecanismos capazes de facilitar o acesso ao crédito em condições mais vantajosas e com custos menores para esse grupo de consumidores. A consequência, na avaliação do governo, é dar mais poder de compra aos brasileiros, gerando capital de giro na economia.
Fontes ouvidas pela TMC Brasília afirmam que o desenho do programa vem sendo ajustado nas últimas semanas em conjunto com representantes do setor bancário. As discussões envolvem critérios de participação, regras operacionais e o formato que será adotado para viabilizar a concessão de crédito.
Embora os detalhes finais ainda não tenham sido oficialmente apresentados, integrantes envolvidos nas tratativas avaliam que o Desenrola Adimplentes pode representar uma nova fase da estratégia do governo para ampliar o acesso ao sistema financeiro e estimular a atividade econômica.
Por que a Fazenda esperou o Copom
De acordo com fontes da área econômica, a orientação dentro do governo foi evitar qualquer anúncio relevante relacionado à expansão do crédito antes da decisão do Banco Central sobre a Taxa Selic, que passou por reajuste e terá o patamar de 14,25% pelos próximos 45 dias.
A avaliação era de que uma medida com potencial para ampliar o acesso ao crédito poderia ser observada com atenção pelo mercado financeiro às vésperas da reunião do Copom. O governo tem sido pressionado a diminuir os gastos públicos, frear incentivos fiscais e reavaliar programas. Por isso, a estratégia adotada foi aguardar a definição dos juros antes de avançar com a divulgação do programa.
Além da preocupação com a política monetária, integrantes da equipe econômica também trabalham com um cronograma apertado para a apresentação da iniciativa, o que acelerou as negociações com os bancos nas últimas semanas.
Nos bastidores, a leitura é que separar o anúncio do Desenrola Adimplentes da discussão sobre os juros ajuda a evitar interpretações equivocadas sobre efeitos na economia.




