Costumo pensar que a civilização aparece menos nos grandes feitos de um país do que nos pequenos gestos. E a maneira de comemorar é um deles.
Estava em Oslo quando a Noruega venceu a Costa do Marfim por 2 a 1. Depois do jogo, centenas de pessoas caminharam até o jardim do Palácio Real. Cantaram, bateram palmas, remaram como faz a torcida norueguesa e permaneceram ali por cerca de uma hora. Depois, cada um voltou para casa.
O que ficou foi justamente a ausência de qualquer excesso. Não havia lixo, depredação ou sensação de insegurança. Quem registrava a festa com o celular fazia isso sem receio. Minutos depois, a cidade parecia a mesma de antes.
No Brasil, muitas vezes confundimos festa com desordem. Como se a alegria suspendesse as regras de convivência e transformasse o espaço público em terra de ninguém.
O entusiasmo vira desculpa para a sujeira, o vandalismo e a falta de respeito.
Não se trata de idealizar a Noruega nem de negar nossa capacidade de celebrar. A diferença está em outra parte. Lá, a liberdade parece caminhar ao lado da responsabilidade.
Aqui, frequentemente a tratamos como ausência de limites.
Talvez essa seja a principal lição. Uma festa deveria deixar lembranças, não uma cidade para ser reconstruída no dia seguinte.
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