Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques concedeu um cargo no tribunal à esposa de um dos advogados de Claudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, informou a jornalista Daniela Lima, em participação no TMC 360, nesta segunda-feira (06/07).
Fabiana Cristina Ortega Severo foi alçada ao cargo de vice-diretora da Escola Judiciária Eleitoral do TSE, corte que passou a ser presidida por Nunes Marques em maio. Ela é esposa de Gustavo Severo, que defendeu Castro no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no caso de sua inelegibilidade.
“A primeira vez que ouvimos algo a respeito de Nunes Marques e o advogado Gustavo Severo foi quando o ministro teve de justificar cinco voos que fez no jatinho de Severo. Na ocasião, o Castro estava prestes a ser julgado pelo TSE. O julgamento aconteceu dois, três meses atrás. E Nunes Marques foi um dos dois votos para que Castro não ficasse inelegível. E Severo, embora não advogasse para Claudio Castro no TSE, foi o advogado dele nesta mesma causa no TRE. O Severo é advogado de Castro em uma série de outros casos no TSE e no STF”, explica Dani Lima.
A jornalista conta também que Nunes já afirmou mais de uma vez que era amigo de Severo há muito tempo e que sempre se declarava suspeito nos casos dele.
“Mas a proximidade pessoal entre os dois não impediu Nunes de entregar um cargo para a mulher de Severo”, pontuou a especialista.
“O Nunes Marques me disse, por meio de sua assessoria, que o cargo não será remunerado e que ele tem confiança de que ela vai exercer o posto com dignidade e afinco”, afirmou.
“Mas isso só explicita a proximidade destes dois personagens: um advogado influente tanto no TSE quanto no STF e um ministro.”
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Dinheiro na cueca
“O Nunes Marques me disse ainda que ela é militante do Direito Eleitoral e que chegou a trabalhar no PV por 11 anos. Eu encontrei uma outra passagem da esposa do Severo no serviço público que foi como assessora do gabinete de Chico Rodrigues, senador que, em sua passagem mais lustrosa pelo noticiário público, foi pego com dinheiro na cueca pela PF. Na época, era filiado ao União Brasil. Hoje é senador pelo PSD de Roraima”, disse Dani Lima.
“Fica aí o valor do que chamamos em diplomacia de ‘soft power’, que são aquelas boas relações, com poder de convencimento que não necessariamente você precisa exercer uma força efetiva, mas as relações ganham projeção mesmo assim.”




