Dilma nunca mais falou com Michel Temer após impeachment de 2016

Em entrevista ao UOL, ex-presidente confirmou honorários pagos pelo Banco Master e disse que Dilma Rousseff nunca mais o procurou após o impeachment de 2016

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Michel Temer e Dilma Rousseff
Geraldo Magela/ Agência Senado

Desde que assumiu a presidência da República em maio de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff, Michel Temer afirma que a ex-presidente jamais voltou a procurá-lo. Eleito vice-presidente na mesma chapa que Dilma em 2014, Temer aproveitou a entrevista ao UOL nesta segunda-feira (07/07) para reforçar que não apoiou e nem se empenhou nas articulações que levaram à queda da petista.

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Para justificar sua postura na época, ele citou um trecho de seu próprio discurso de posse na interinidade:

“Faço questão, e espero que sirva de exemplo, e declarar meu absoluto respeito institucional à senhora presidente Dilma Rousseff. Não discuto aqui as razões pelas quais foi afastada. Quero apenas sublinhar a importância do respeito às instituições e a observância à liturgia nas questões, no trato das questões institucionais”.

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Ainda no campo institucional, ao comentar os atos de 8 de janeiro de 2023, Temer defendeu a tese de que houve, sim, uma tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente aproveitou o espaço para tecer elogios ao Supremo Tribunal Federal (STF), destacando especialmente o trabalho conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes na condução da crise.

Os R$ 10 milhões do Banco Master e a negociação frustrada

Outro ponto central da entrevista envolveu a vida profissional de Temer como advogado. O ex-presidente confirmou ter recebido R$ 10 milhões em honorários do Banco Master em 2025. Segundo ele, os valores foram pagos pelo seu trabalho profissional após ser contratado por Daniel Vorcaro, dono do banco, para tentar costurar a venda da instituição financeira ao BRB (banco controlado pelo governo do Distrito Federal).

Apesar do montante recebido, a missão não teve o desfecho esperado:

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Falta de êxito: “Eu recebi honorários. Recebi pelo trabalho profissional que realizei. Fui chamado para tentar fazer uma composição”, afirmou Temer. “Não tive sucesso nessa atividade, e me afastei do caso”, completou.

A conexão política: à época da tentativa de venda, o governador do Distrito Federal era Ibaneis Rocha, que é filiado ao MDB, mesmo partido de Michel Temer.

Viagem aos Emirados Árabes e a prisão de Vorcaro

Os bastidores da atuação de Temer pelo Banco Master também incluíram agendas internacionais. De acordo com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O GLOBO, Temer e Daniel Vorcaro chegaram a passar dois dias em Abu Dhabi na tentativa de convencer investidores árabes a aportar recursos no banco, mas a operação também não avançou.

Ao avaliar a personalidade de Vorcaro, que foi preso pela Polícia Federal e responde a investigações por crimes contra o sistema financeiro nacional, Temer o descreveu como “uma figura muito doce”, mas fez uma ressalva contundente sobre os negócios do empresário:

“Agora, evidentemente, uma coisa é ser figura suave e outra coisa são as atitudes. Você tem que fazer essa distinção. Eu acho que ele exagerou, evidentemente. Tanto exagerou que está acontecendo o que acontece”.

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