TV estatal da Hungria pede desculpas por 16 anos de mentiras

Canal M1 exibiu tela preta com pedido de desculpas após novo governo assumir; país tenta desbloquear 16 bilhões de euros congelados pela UE

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A TV screen shows a black screen with a message that starts "State media cannot lie. We apologise for having done so for years," in Budapest, Hungary, July 7, 2026. REUTERS/Marton Monus
Foto: Marton Monus/Reuters

A TV estatal da Hungria suspendeu suas transmissões de notícias nesta terça-feira (07/07) para uma reformulação voltada à independência editorial. O canal M1 foi além: exibiu uma tela preta com um pedido de desculpas ao público pelas informações veiculadas ao longo dos últimos 16 anos, período em que Viktor Orban governou o país.

A mensagem da emissora foi direta. O canal exibiu o seguinte anúncio: “A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos”.

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Com a instalação de uma nova gestão interina, editores das emissoras estatais perderam seus cargos, conforme relataram outros veículos da mídia húngara.

Novo governo, nova ordem

Péter Magyar, de 45 anos, assumiu o cargo de primeiro-ministro em 9 de maio e declarou “o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas”.

O líder conservador pró-europeu anunciou a chamada Operação Fogo Purificador, um plano de reforma constitucional para erradicar o que chamou de influência do governo anterior.

O Partido Tisza, de Magyar, detém maioria de dois terços no Parlamento. Com essa base, o Legislativo aprovou um pacote de leis anticorrupção e o desmonte do Escritório de Proteção da Soberania, órgão criado durante a gestão Orban e associado à vigilância de opositores e organizações da sociedade civil.

Fundos europeus em jogo

As mudanças têm impacto direto nas relações da Hungria com o bloco europeu. O país tenta desbloquear 16 bilhões de euros (cerca de R$ 102,4 bilhões) em fundos congelados pela União Europeia em razão da relação conflituosa que Orban mantinha com Bruxelas. As iniciativas de Magyar são vistas como fundamentais para viabilizar esse desbloqueio, embora o resultado ainda não esteja confirmado.

A analista Zsuzsanna Végh, do German Marshall Fund dos Estados Unidos, disse à agência AFP que essas medidas “sinalizam claramente o fim do modelo de intimidação de Orbán e de sua política baseada na propaganda”.

O partido de Orban reagiu. Em nota, a legenda classificou as ações de Magyar como um esforço para impor controle autocrático sobre as instituições húngaras.

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