A Polícia Federal citou o senador mineiro Rodrigo Pacheco, do PSB, no relatório final de uma investigação sobre descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS. O documento afirma que o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, pode ter se reunido com o parlamentar em 2023 para tratar da escolha do presidente do instituto.
Pacheco não foi indiciado e nega que o encontro tenha acontecido. No mesmo inquérito, a PF indiciou o deputado federal licenciado Euclydes Pettersen, do Republicanos de Minas Gerais, por suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
O que a PF diz sobre Rodrigo Pacheco?
A suspeita tem como base mensagens analisadas pela Polícia Federal. Em 1º de fevereiro de 2023, data da posse dos parlamentares e da reeleição de Pacheco para a presidência do Senado, Carlos Lopes afirmou que iria a um encontro para discutir a escolha do presidente do INSS.
Para os investigadores, o acesso pode ter sido intermediado por Euclydes Pettersen. O relatório considera possível que Pacheco tenha participado da reunião, mas os diálogos divulgados não registram diretamente uma conversa entre o senador e o dirigente da Conafer.
No dia seguinte, Glauco André Fonseca Wamburg foi nomeado presidente do INSS. Ele permaneceu no cargo até julho de 2023, quando foi substituído por Alessandro Stefanutto.
Pacheco nega encontro e indicação ao INSS
Em nota, Rodrigo Pacheco afirmou que nunca se reuniu com Carlos Lopes, não conhece o presidente da Conafer e jamais indicou integrantes da direção do INSS.
“Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes. Também nunca fiz indicação alguma para o INSS”, declarou.
O senador disse ainda que sequer sabia que Glauco Wamburg havia presidido o instituto. Segundo Pacheco, a investigação pode ter associado indevidamente a notícia da eleição para a presidência do Senado a uma reunião da qual ele não participou.
Rodrigo Pacheco representa Minas Gerais no Senado e atualmente é filiado ao PSB.
PF atribui R$ 14,7 milhões a Euclydes Pettersen
No mesmo relatório, a Polícia Federal indiciou Euclydes Pettersen. Segundo a investigação, o parlamentar teria atuado como articulador e principal fiador político da Conafer, facilitando o acesso do grupo a autoridades e a cargos estratégicos do INSS.
A PF afirma que Pettersen teria recebido pelo menos R$ 14,7 milhões em pagamentos fracionados, movimentados por empresas e contas usadas para ocultar a origem do dinheiro. Nas planilhas apreendidas, ele seria identificado pelo codinome “Herói E”.
O deputado foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ele é presidente do Republicanos em Minas e está licenciado do mandato na Câmara dos Deputados.
O que diz Euclydes Pettersen?
A defesa de Pettersen nega que ele tenha participado dos fatos investigados ou indicado servidores para cargos no INSS.
O parlamentar afirma que o indiciamento faz parte da fase investigativa e não representa denúncia, abertura de ação penal ou condenação. Ele também declara confiar no esclarecimento do caso pela Justiça.
O que é a Operação Sem Desconto?
A Operação Sem Desconto investiga cobranças associativas realizadas sem autorização em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS.
O primeiro relatório final da operação trata especificamente das atividades relacionadas à Conafer. A entidade recebeu aproximadamente R$ 484 milhões em descontos entre 2019 e 2024, segundo dados citados na investigação.
A PF indiciou 48 pessoas nessa etapa, incluindo dirigentes da Conafer, ex-integrantes da administração do INSS, operadores financeiros e Euclydes Pettersen. Rodrigo Pacheco não está entre os indiciados.
O que acontece agora?
O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator das investigações.
O indiciamento não transforma automaticamente os investigados em réus. A Procuradoria-Geral da República poderá avaliar as conclusões, pedir novas diligências, solicitar o arquivamento de partes da investigação ou apresentar denúncia ao STF. Somente o recebimento de uma eventual denúncia abre uma ação penal.




