O recuo de 75% nos casos de dengue registrado no início do ano trouxe um alívio temporário, mas as previsões para o segundo semestre acendem o sinal de alerta. Um estudo feito pela Fiocruz em parceria com a Fundação Getúlio Vargas projeta o aumento na incidência da arbovirose atribuída ao El Niño. O impacto, segundo especialistas, será maior a partir de outubro, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
Em Minas Gerais, a dengue, tradicionalmente associada ao verão e aos períodos de chuva, têm crescido durante o inverno. No intervalo de 21 dias que separa os boletins epidemiológicos de junho e julho, após o início da estação, o estado registrou 4.707 casos confirmados e 6 mortes.

A climatologista do Instituto Nacional de Metereologia (INMET), Anete Fernandes explica que, em todo o país, o atual outono/inverno não preservou a secura sazonal “Este ano a gente teve um outono e este início de inverno um pouco diferentes do normal, com mais umidade. A expectativa é que a gente passe a ter ondas de calor à partir de agosto, por conta da atuacao do El Nino”.
O problema é que o calor acelera o ciclo de vida do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e outras arboviroses. Por isso, o estudo da FioCruz recomenda medidas preventivas como a antecipação de campanhas sobre combate a dengue antes de outubro e o fortalecimento das campanhas de vacinação. Com a suspensao do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butatan, pelo Ministério da Saúde em 8 de junho, a vacina foi alvo de desinformação. Mas o imunizante alternativo continua sendo o melhor caminho para prevenir o contágio, como reforça o infectologista Leandro Curi “A Qdenga continua sendo utilizada e eu acho que é como a gente vai acabar com a dengue atualmente”, orienta.
A Qdenga é indicada para pessoas de 4 a 60 anos. Pelo SUS, a distribuição é voltada prioritariamente para a faixa etária de 10 a 14. Para idosos, que concentram o maior número de hospitalizacoes, a vacina não foi liberada pela Anvisa.




