O canal de mídia independente ICL Notícias (ligado ao Instituto Conhecimento Liberta) virou o centro dos debates nas redes sociais e nos bastidores do jornalismo nesta semana. O veículo, conhecido por sua linha editorial progressista e de forte oposição ao mercado financeiro tradicional, passa por uma severa reestruturação financeira que resultou na demissão em massa de grandes nomes de sua equipe.
As demissões de peso no ICL
A onda de demissões atingiu cerca de dez profissionais, incluindo nomes do primeiro escalão do jornalismo e da análise política do canal. Entre os desligados estão:
- Leandro Demori (jornalista investigativo e então diretor de jornalismo)
- Alice Maciel (repórter investigativa premiada)
- Adriana Ferreira (apresentadora)
- Nina Lemos (colunista) e Pedro Barciela (analista de redes)
Nos bastidores, as informações apontam que a saída de Leandro Demori ocorreu após ele não aceitar um corte de 30% no orçamento do departamento de jornalismo. Eduardo Moreira, o fundador do veículo, justificou os cortes como uma medida dura, porém necessária, para garantir a sustentabilidade financeira da empresa e a contenção de despesas.
Leia mais: Quem é Eduardo Moreira? A trajetória do ex-banqueiro que fundou o ICL
Quem é Eduardo Moreira?
Fundador e principal rosto do ICL, Eduardo Moreira é um economista, palestrante e escritor brasileiro. Ele iniciou sua carreira no coração do mercado financeiro, tendo sido sócio do Banco Pactual e atuado por cerca de 20 anos na Faria Lima.
Após deixar o setor bancário tradicional, Moreira passou por uma guinada ideológica. Ele tornou-se um crítico ferrenho da concentração de renda, do sistema tributário brasileiro e da elite financeira. Criou o ICL com a premissa de oferecer educação e jornalismo popular independente, financiando-se principalmente por meio de cursos e assinaturas de sua comunidade.
A polêmica dos dividendos e a isenção de imposto
O ponto que causou maior desgaste à imagem pública do economista ocorreu durante as justificativas sobre a crise financeira do veículo. Ao explicar a reestruturação aos assinantes, Eduardo Moreira revelou que o caixa da empresa havia sofrido um impacto porque a diretoria decidiu antecipar a distribuição de lucros e dividendos aos sócios no ano anterior.
A intenção por trás dessa antecipação, segundo as próprias palavras de Moreira, foi evitar o pagamento de cerca de R$ 5 milhões em impostos. Naquele momento, tramitavam no país discussões reais sobre a mudança tributária para taxar a distribuição de dividendos (que historicamente é isenta de imposto de renda no Brasil para a pessoa física). Moreira argumentou que a manobra visava proteger o dinheiro da empresa para não pagar o valor de forma que considerava “indevida”.
O caso gerou repercussão imediata e acusações de incoerência por parte de críticos e internautas. Isso porque uma das principais bandeiras históricas de Eduardo Moreira e do próprio ICL Notícias sempre foi a defesa de uma justiça tributária rigorosa, com discursos frequentes exigindo o fim da isenção de dividendos e cobrando que os mais ricos pagassem mais impostos para financiar o Estado. Ao utilizar um mecanismo legal e típico do mercado financeiro para blindar o próprio capital da tributação iminente, Moreira foi criticado por adotar a mesma prática que costuma combater publicamente.
Apesar do momento turbulento, o fundador garantiu em pronunciamento que a empresa mantém seus compromissos financeiros e que as demissões não afetarão a independência e a liberdade editorial dos profissionais que permanecem na casa.




