Reuniões do governo federal com os setores afetados pela nova tarifa americana estão previstas para esta terça-feira (21/07). A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelo governo dos Estados Unidos na semana passada, entra em vigor nesta quarta-feira (22/07).
Segundo o governo brasileiro, cerca de 18% das exportações do Brasil para os EUA serão afetadas pela medida. A investigação comercial americana que embasou a decisão durou cerca de um ano.
O ministro Dario Durigan, da Fazenda, declarou que instrumentos de proteção a empresas e empregos já estão disponíveis para uso imediato. “Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos”, disse Durigan. O Plano Brasil Soberano — lançado no ano anterior como resposta às primeiras tarifas americanas — será ampliado para contemplar os setores recém-atingidos.
Na prática, isso significa que empresas brasileiras exportadoras podem buscar apoio do programa para compensar perdas de receita com o mercado americano.
Negociações travaram a partir de maio
As tratativas entre Brasil e EUA tiveram início efetivo no ano passado, depois do encontro entre o presidente Lula e o presidente americano Donald Trump na Malásia. O Brasil chegou a encaminhar ao Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) uma proposta sobre seis pontos levantados pela parte americana, mas não obteve resposta.
Em meados de maio, e ao longo de junho, os interlocutores da Casa Branca adotaram uma postura cada vez mais rígida nas conversas. Negociadores brasileiros descreveram o comportamento americano como inflexível e inegociável.
O governo brasileiro sustenta que razões políticas, e não econômicas, motivaram a medida, classificando-a como desprovida de justificativa técnica. Brasília enquadra o episódio como um marco lastimável nas relações comerciais entre os dois países.
Segundo o governo brasileiro, os EUA ocupam a posição de segundo maior parceiro comercial do país. Ainda assim, o Brasil já mantém tarifas reduzidas sobre produtos americanos: o vice-presidente Geraldo Alckmin informou que, sobre os principais itens de origem americana, a alíquota média praticada é de 3%. Dos dez produtos americanos mais comercializados no Brasil, oito ingressam no país sem qualquer cobrança tarifária, de acordo com dados do governo brasileiro.




