Angelita Habr-Gama, cirurgiã reconhecida mundialmente pelo trabalho no tratamento do câncer colorretal e uma das maiores referências mundiais em coloproctologia (especialidade médica que estuda as doenças do intestino grosso, do reto e ânus), morreu na noite do sábado (30/05).
A médica tinha 93 anos e estava internada desde o dia 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde atuou por mais de quatro décadas. O hospital informou o falecimento e lamentou a perda, descrevendo-a como irreparável para a medicina brasileira.
O velório será realizado neste domingo (31), das 15h às 19h, na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Trajetória de pioneirismo
Ao longo da carreira, Angelita acumulou marcos inéditos. Foi a primeira mulher a ser professora titular em especialidade cirúrgica na Faculdade de Medicina da USP.
Ela também foi a primeira mulher e brasileira a se tornar Membro Honorário da centenária sociedade científica American Surgical Association (ASO) desde 2002.
Dentre os inúmeros prêmios, conquistou o “Prêmio Mulheres Mais Influentes Forbes Brasil 2006” pela Revista Forbes Brasil.
Também foi a primeira médica latino-americano e a primeira mulher a integrar o seleto grupo de 17 Membros Honorários da European Surgical Association em 2006, e desde 2020 tornou-se Honorária Nacional da Academia Nacional de Medicina.
Em 2022, a Universidade de Stanford a colocou no grupo dos 2% de cientistas com maior destaque mundial, uma lista que reúne pesquisadores de todo o planeta.
Contribuições científicas e institucionais
São centenas de trabalhos publicados e mais de 50 prêmios nacionais e internacionais ao longo da vida acadêmica. Ela presidiu diversas sociedades científicas e foi nomeada pela Organização Mundial de Gastroenterologia (OMGE) como coordenadora do Programa de Prevenção do Câncer Colorretal no Brasil.
Também fundou a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci), entidade voltada à conscientização e ao diagnóstico precoce da doença.




