A Defensoria Pública do Rio acusa policiais militares de manipularem as câmeras corporais usadas durante uma operação da PM que terminou com a morte do estudante Daniel da Costa Ferraz, de 19 anos, no Complexo do Chapadão, na Zona Norte do Rio.
Segundo um relatório técnico obtido pela reportagem, as bodycams dos agentes ficaram fora de uso justamente no horário da ocorrência, em maio de 2024.
A Procuradoria-Geral do Estado solicitou oficialmente informações à Polícia Militar e à Polícia Civil sobre uma investigação interna envolvendo os policiais Felipe Cunha Campos Silva e Jeremias Santana Amaral, integrantes do Grupamento de Ações Táticas do batalhão de Colégio.
De acordo com a análise feita pela Defensoria, as câmeras corporais dos PMs foram posicionadas de frente para armários dentro da unidade policial durante toda a operação. Em um dos trechos, o relatório afirma que as imagens permaneceram “totalmente escuras” e, depois, passaram horas apontadas para armários, sem registrar a ação que terminou na morte do jovem.
Testemunhas afirmam que Daniel estava indo para a escola, usando uniforme e mochila, quando foi baleado. O documento também aponta inconsistências entre a versão apresentada pelos policiais e os laudos do caso. Segundo a Defensoria, o jovem foi atingido pelas costas, enquanto os PMs alegaram confronto armado.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores são os áudios captados pelas próprias câmeras após a ocorrência. Em um dos trechos registrados dentro da viatura, um policial diz:
“Eu falo que eu tava fazendo a segurança e atirei também. Não pode falar que nós dois atiramos nos caras, senão vai apreender dois fuzis.”
Segundo a Defensoria, as imagens mostram ainda que as câmeras foram colocadas dentro de sacos plásticos e deixadas fora das fardas durante o período da operação. O relatório conclui que os equipamentos teriam sido retirados propositalmente antes da ação policial.
A Procuradoria-Geral do Estado solicitou à PM informações sobre eventual procedimento interno instaurado para apurar a conduta dos agentes. O batalhão informou que abriu um Registro Policial Militar de Portaria para investigar o caso.
A reportagem tenta contato com as polícias Civil e Militar e com a Procuradoria-Geral do Estado.
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