O El Niño pode tornar o clima mais extremo em Minas Gerais durante o segundo semestre de 2026. O fenômeno já está estabelecido no Oceano Pacífico e deve ganhar intensidade nos próximos meses, aumentando a probabilidade de temperaturas acima da média, ondas de calor e períodos prolongados de estiagem.
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há mais de 90% de probabilidade de o El Niño permanecer ativo até, pelo menos, o início de 2027. Os modelos também apontam alta possibilidade de o evento atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão.
Temperaturas podem ficar acima da média em Minas
As projeções indicam temperaturas acima da média em grande parte do Brasil durante o segundo semestre. Esse cenário pode favorecer ondas de calor e ampliar o risco de incêndios florestais.
Para julho, o Inmet prevê temperaturas até 1°C acima da média em boa parte do Sudeste. No oeste de Minas Gerais, o desvio pode ultrapassar 1,5°C.
O calor mais intenso também aumenta a evaporação da água e acelera a perda de umidade do solo, especialmente em áreas que já enfrentam estiagem.
Oeste de Minas registra seca severa
O oeste de Minas Gerais está entre as áreas do país com concentração de seca moderada e severa.
Entre abril e maio, 66 municípios brasileiros passaram para a condição de seca severa. Minas Gerais e Goiás concentraram, juntos, mais da metade dessas ocorrências, segundo o boletim elaborado por órgãos como Inmet, INPE e Cemaden.
A combinação entre temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação seca exige atenção para focos de incêndio e possíveis impactos no abastecimento, na agricultura e nos recursos hídricos.
El Niño pode provocar chuvas fortes em Minas?
A formação de um El Niño forte não significa, por si só, que Minas Gerais terá enchentes ou deslizamentos. As previsões sazonais indicam se a chuva tende a ficar acima, dentro ou abaixo da média, mas não conseguem antecipar diretamente tempestades específicas ou a intensidade de eventos extremos.
O risco pode aumentar caso chuvas intensas ocorram sobre solos já vulneráveis durante o período chuvoso. Por isso, órgãos de monitoramento acompanham a evolução da umidade, dos rios e das previsões de curto prazo.
Por que o fenômeno preocupa?
O El Niño altera a circulação da atmosfera ao aquecer de forma anormal as águas do Pacífico Equatorial.
No Brasil, os efeitos variam entre as regiões. O Sul tende a enfrentar mais chuva, enquanto áreas do centro-norte do país podem registrar redução das precipitações. Em Minas, o sinal mais consistente para os próximos meses é de temperaturas acima da média, com atenção para estiagem, calor e incêndios.




