A Justiça Federal negou o pedido de liberdade de Germán Naranjo Maldini, executivo chileno detido após cometer ofensas racistas e homofóbicas contra tripulantes durante um voo da Latam Airlines. A decisão da 4ª Vara Federal de Guarulhos considerou a gravidade da conduta e o risco de fuga por ele ser estrangeiro.
Germán foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos na sexta-feira (15/05), após os ataques ocorridos no dia 10 de maio durante o voo com destino a Frankfurt. Segundo relatos, ele tentou abrir a porta da aeronave em pleno voo e, ao ser contido, chamou um comissário de bordo de macaco e fez sons imitando o animal.
O advogado criminalista Carlos Kauffmann, que defende o executivo, apresentou recursos alegando que não foram considerados o histórico de internações psiquiátricas do cliente. A defesa impetrou habeas corpus solicitando transferência para unidade clínica adequada.
“A defesa entende que não foram devidamente considerados o histórico pretérito e atual de internações de seu cliente, bem como o tratamento médico do assistido, quadro que, inclusive, coloca-o em risco na prisão em que se encontra”, argumentou a defesa.
Ataques discriminatórios durante o voo
A Latam Airlines informou que “repudia veementemente qualquer prática discriminatória” e colaborou com a Polícia Federal para a prisão do passageiro. A empresa afirmou que presta “acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência”.
Demissão e histórico de problemas
A Landes, companhia chilena de pescados onde Germán atuava como gerente comercial, o demitiu três dias após abrir investigação interna. A empresa divulgou comunicado no dia 19 de maio: “Após a conclusão da investigação interna iniciada no último sábado, 16 de maio, e após ter sido formal e preventivamente afastado de suas funções no mesmo dia, informamos que Germán Naranjo Maldini não é mais o gerente comercial da Landes”.
O executivo enfrenta denúncia por tentativa de suborno a funcionário público chileno em 4 de fevereiro de 2025. Segundo o 4º Tribunal de Garantia de Santiago, ele ofereceu US$ 10 mil para obtenção rápida de passaporte do filho menor. Durante a abordagem, teria perguntado: “A quem temos de pagar?” e depois disse: “Pegue isso e faça meu passaporte rapidamente”.
Falsa ameaça de bomba em 2013
Em agosto de 2013, Germán comunicou falsa ameaça de bomba no Hotel W Las Condes, afirmando ter “deixado uma bomba lá para matar todos os muçulmanos”. O caso foi arquivado em setembro de 2013 pelo Ministério Público chileno, que pediu apenas advertência ao executivo.
A decisão judicial sobre a manutenção da prisão leva em conta a “gravidade concreta da conduta” e o risco à ordem pública, além da possibilidade de o acusado deixar o país por ser estrangeiro.
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