A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 22 mandados de busca e apreensão nesta segunda-feira (27/04). A operação apura um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em administrações municipais e o financiamento de candidatos políticos. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 513,6 milhões em bens e ativos.
As diligências ocorreram em 11 cidades: São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto, Santos, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Brasília e Londrina. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
A Operação Contaminatio é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024. Aquela ação bloqueou R$ 8 bilhões de contas de pessoas e empresas suspeitas de ligação com a facção criminosa.
A investigação aponta um esquema estruturado de lavagem de dinheiro obtido com atividades criminosas e a exploração do tráfico de drogas pelo PCC. Os policiais identificaram uma articulação entre os alvos para criar um “núcleo político” destinado a favorecer a organização.
A apuração indica a intenção de inserir nas localidades identificadas uma fintech criada por integrantes do PCC. A empresa seria usada para lavar dinheiro por meio da gestão de receitas municipais, como taxas e impostos. O esquema incluiria emissão de boletos e relacionamento bancário com contribuintes.
Ao menos seis pessoas politicamente expostas foram identificadas. Algumas ocupam cargos de primeiro escalão em administrações municipais da Baixada Santista, do ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. Nenhuma delas possui mandato eletivo. São indicações políticas dentro dessas prefeituras.
As investigações apontam o envolvimento de ao menos uma servidora municipal com um integrante do alto escalão do grupo. Segundo a Dise, nenhum dos alvos possui foro por prerrogativa de função.
Infiltração nas eleições de 2024
A polícia identificou um projeto de infiltração de integrantes da organização criminosa nas eleições municipais de 2024. O esquema previa o lançamento de candidatos aos cargos em disputa.
As apurações indicam que o PCC apoiaria e, em alguns casos, financiaria campanhas de candidatos. Essas pessoas poderiam atuar em favor dos interesses da facção dentro da administração pública. As investigações também indicam a atuação de pessoas no âmbito político municipal e estadual.
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A análise de dados de dispositivos eletrônicos apreendidos na primeira fase e de informações de inteligência financeira permitiu comprovar a articulação para criar o núcleo político. O objetivo seria explorar recursos públicos em benefício da organização, além da prática de crimes contra a administração pública.
Os policiais identificaram que um dos alvos, apontado como integrante do PCC, teve autorização para pousar um helicóptero no heliponto do Palácio dos Bandeirantes em 10 de março de 2021. O destino era assistir a um jogo no estádio do Morumbi. A informação foi obtida a partir da extração de dados de celulares apreendidos.
Todos os mandados de prisão já foram cumpridos. As diligências seguem em andamento. Um balanço das apreensões deve ser divulgado posteriormente.




