A reitoria da Universidade de São Paulo propôs reajuste anual de 3,5% nas bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil. A proposta foi apresentada aos estudantes em greve na quinta-feira (30/04). Os alunos rejeitaram a oferta e mantiveram a paralisação.
O índice sugerido pela administração universitária segue a variação do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Esse indicador mede a inflação exclusivamente na capital paulista. Nos 12 meses anteriores, o IPC-Fipe registrou alta acumulada de 3,5%. Com esse percentual, o auxílio integral subiria de R$ 885 para R$ 916.
Os estudantes exigem que o benefício se aproxime do salário mínimo paulista, fixado em R$ 1.804. A diferença entre a proposta da reitoria e a reivindicação dos alunos ultrapassa R$ 880. Uma nova rodada de negociações foi acordada, mas ainda não tem data marcada.
Paralisação atinge 60% dos cursos
A greve dos estudantes alcançou as 43 escolas, faculdades e institutos da USP, distribuídos pela capital e pelo interior do estado. Pelo menos 110 dos mais de 180 cursos oferecidos pela universidade estão paralisados. Isso representa aproximadamente 60% do total de graduações da instituição.
A mobilização foi desencadeada pela criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas. O Conselho Universitário aprovou a medida em 31 de março. O mecanismo estabelece pagamento extra de R$ 4.500 para professores que assumirem projetos classificados como estratégicos. Entre as atividades previstas estão ministrar disciplinas em inglês e desenvolver ações de extensão.
O custo anual da gratificação para docentes será de R$ 238,44 milhões. Os servidores da instituição também iniciaram greve pelo mesmo motivo. A categoria encerrou a paralisação em 23 de abril, após a reitoria estender o mesmo repasse aos funcionários.
O Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil foi criado em 2022. Na época, repassava R$ 800 aos estudantes de graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Desde então, o programa recebeu dois aumentos: o primeiro foi de 6% e o segundo, de 4%.
Na terça-feira (28/04), a instituição apresentou propostas relacionadas aos restaurantes universitários. A reitoria se comprometeu com a contratação de novos funcionários para os refeitórios. A administração também prometeu disponibilizar três refeições durante a semana e oferecer café da manhã e almoço aos sábados. Grupos para avaliar a qualidade dos restaurantes serão criados.
Foram apresentadas propostas para a formação de grupos de trabalho com participação dos alunos. Um deles seria destinado a avaliar cotas para pessoas trans e indígenas no vestibular. Outro grupo seria criado para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos.
A reitoria cancelou uma minuta que pretendia regulamentar o uso de espaços pelos centros acadêmicos após receber críticas. O documento estabelecia obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. A autorização para uso de espaços teria caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa. O tema continuará sendo debatido. De acordo com a USP, há necessidade de estabelecer normas para garantir segurança jurídica.
A Pró-Reitoria de Graduação da USP proibiu modificações no calendário acadêmico em razão da greve dos estudantes. O comunicado foi publicado na quarta-feira (22/04). A determinação veda alterações no período de aulas, nas interações de matrícula e nos prazos para lançamento de notas e frequência. A proibição também abrange o período de recuperação.
A Pró-Reitoria de Graduação da USP declarou em comunicado: “Não estão previstas nem autorizadas alterações no período de aulas, nas interações de matrícula, nos prazos para lançamento de notas e frequência ou no período de recuperação”.
O documento também veda a migração de atividades presenciais para o formato remoto. Disciplinas não poderão ser ministradas por meio de gravação.




