O setor de agronegócio do Brasil alterou as rotas de escoamento de produtos destinados ao Oriente Médio. A mudança ocorre desde o fim de fevereiro, quando o estreito de Hormuz foi bloqueado em razão do conflito entre Irã e Estados Unidos. As autoridades da Arábia Saudita implementaram medidas para facilitar o recebimento de mercadorias pela via alternativa do mar Vermelho.
As vendas de carne bovina brasileira para países do Oriente Médio próximos ao conflito totalizaram 18 mil toneladas em março. O volume representa queda superior a 20% em relação às 22 mil toneladas comercializadas em fevereiro. As exportações de carne de frango registraram retração de 18,5% entre os dois meses.
A retração nos volumes não decorre de diminuição na demanda por produtos brasileiros. Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), atribuiu a queda a obstáculos logísticos. “Não é uma queda por falta de pedidos ou fechamento de mercado. É apenas dificuldade logística. Inclusive, a demanda está mais forte porque os países buscam segurança alimentar e armazenamento”, afirmou em entrevista à Folha de São Paulo.
O dirigente destacou que o escoamento permanece ativo por vias alternativas. “O que é importante notar é que, mesmo com os conflitos e fechamentos, conseguimos garantir o fluxo de 80% do volume através de rotas alternativas, como a do mar Vermelho.”
Os dados de carne bovina abrangem sete países: Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Qatar, Iraque, Turquia, Arábia Saudita e Líbano. Os números de carne de frango contemplam 13 nações: Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar, Omã, Kuwait, Iraque, Jordânia, Iêmen, Turquia, Palestina, Bahrein, Líbano e Irã.
O estreito de Hormuz era a principal via de acesso para cargas destinadas aos países do golfo. O bloqueio do corredor comercial levou o mar Vermelho a assumir papel central na redistribuição de mercadorias.




