Alta do petróleo e incertezas políticas derrubam Bolsa e impulsionam dólar a mais de R$ 5

Fechamento do Estreito de Ormuz e perspectiva de juros altos nos EUA ampliaram cautela dos investidores

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Diversas notas de dólar sobrepostas
Foto: Alexander Grey/Unsplash

O dólar voltou a subir com força nesta sexta-feira (15/05) e encerrou o dia cotado a R$ 5,067, em alta de 1,63%, atingindo o maior valor em mais de um mês. Ao mesmo tempo, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 0,61%, aos 177,2 mil pontos, refletindo um cenário de maior aversão ao risco nos mercados globais.

O movimento foi influenciado principalmente pela alta do petróleo no mercado internacional e pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Novos ataques próximos ao Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, ampliaram as preocupações sobre a oferta global da commodity.

Com isso, o barril do petróleo tipo Brent avançou 3,35%, negociado acima de US$ 109, enquanto o tipo WTI também registrou forte valorização.

A escalada do petróleo reforçou o temor de uma nova pressão inflacionária global, especialmente nos Estados Unidos. O mercado passou a reduzir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) e voltou a considerar a possibilidade de novas altas da taxa americana ainda em 2026.

Nesse ambiente, investidores migraram para ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar em relação a moedas de países emergentes, como o real. Os rendimentos dos títulos do governo dos EUA também voltaram a subir, sinalizando maior cautela no mercado financeiro internacional.

Além do cenário externo, o mercado brasileiro continuou repercutindo incertezas políticas domésticas. A volatilidade aumentou após reportagens envolvendo o senador licenciado Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

No exterior, as principais bolsas internacionais também fecharam em queda. Em Nova York, os índices S&P 500, Dow Jones e Nasdaq recuaram diante do aumento das preocupações com inflação e juros elevados por mais tempo. Na Europa, índices como o Stoxx 600, o DAX alemão e o CAC 40 francês também registraram perdas.

No Brasil, investidores ainda acompanharam os dados do setor de serviços divulgados pelo IBGE. O volume de serviços prestados cresceu 3% em março na comparação anual, mas recuou 1,2% frente a fevereiro, indicando desaceleração da atividade econômica em meio aos efeitos da política monetária restritiva.

Analistas avaliam que a combinação entre tensão geopolítica, petróleo em alta, perspectiva de juros elevados nos EUA e incertezas fiscais e políticas no Brasil mantém o mercado em posição defensiva.

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