O Brasil já preencheu 78% da cota anual de carne bovina destinada à China e corre o risco de esgotar esse limite em meados de julho de 2026, acendendo um alerta para frigoríficos, exportadores e pecuaristas.
A projeção é da consultoria Agrifatto, com base no ritmo médio de exportações registrado entre janeiro e maio deste ano.
A cota funciona como um teto de importação: dentro dele, a tarifa cobrada pelo governo chinês é de 12%. Quem ultrapassar esse volume paga 55%, uma sobretaxa que torna as vendas muito menos rentáveis para os frigoríficos brasileiros.
Por que o prazo preocupa o setor
De janeiro a maio de 2026, o Brasil embarcou em média 122,8 mil toneladas mensais de carne bovina para a China, segundo a Agrifatto. Esse ritmo acelerado é o que explica a projeção de esgotamento precoce da cota.
A China é o principal destino da carne bovina brasileira. O país asiático responde por cerca de 50% de todo o volume exportado pelo Brasil.
Frigoríficos já mudam a rota
Diante do risco de sobretaxa, parte dos frigoríficos brasileiros já começou a ajustar os embarques e diminuir a cota destinada a China.
A Agrifatto aponta que empresas menores têm dependência maior do mercado chinês, o que torna o ajuste mais difícil para esse grupo.
Com menos carne indo para a China, parte do volume tende a ser absorvida pelo mercado interno brasileiro. O setor também avalia mercados alternativos, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, para absorver parte dos volumes que deixarão de seguir para a China após o esgotamento da cota.



