Copom reduz Selic para 14,25% ao ano em decisão marcada por cautela e incerteza global

BC confirma expectativas do mercado e promove o terceiro corte consecutivo de 0,25 p.p. na taxa de juros, mas deixa próximos passos em aberto

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(Foto: Unsplash)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anunciou nesta quarta-feira (17/06) a redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, passando de 14,50% para 14,25% ao ano.

A decisão confirmou as projeções majoritárias do mercado financeiro e representou o terceiro corte consecutivo de mesma magnitude adotado pela autoridade monetária.

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No comunicado oficial, o colegiado destacou que o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre os termos finais do acordo de cessação de conflitos no Oriente Médio e das consequências econômicas já materializadas. A instituição reforçou a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária por parte de economias emergentes em um cenário de elevada volatilidade nos preços de ativos e de commodities.

No front doméstico, o Banco Central apontou que os indicadores do primeiro trimestre de 2026 mostram aceleração da atividade econômica, com mercado de trabalho resiliente e recuperação de setores cíclicos.

Em contrapartida, o comitê alertou que as leituras mais recentes da inflação cheia e das medidas subjacentes apresentaram aceleração, distanciando-se do teto da meta estabelecida. Sob o regime de meta contínua, o objetivo centralizado é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

O comitê optou por deixar os próximos passos da taxa de juros em aberto, enfatizando que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização serão balizadas pela convergência da inflação em direção à meta dentro do horizonte relevante, que atualmente já mira o ano de 2027.

Ibovespa e Dólar: mercado fecha em queda antes de anúncio

O Ibovespa encerrou a sessão regular desta quarta-feira em queda de 0,70%, aos 168.453,93 pontos, registrando uma perda de 1.194,54 pontos. O índice chegou a abrir em sinal positivo (+0,41%), superando os 170 mil pontos com o impulso inicial do setor financeiro, mas virou para o campo negativo e estendeu as perdas ao longo do pregão.

O movimento refletiu o posicionamento defensivo de agentes macroeconômicos antes das decisões monetárias no Brasil e nos Estados Unidos, elevando o índice de volatilidade local (VIX) em 3,76%.

No monitoramento setorial, as ações do Banco BTG Pactual (BPAC3) e do Santander Brasil (SANB4) lideraram os ganhos no início dos negócios, mas o fôlego comprador geral diminuiu diante da realização de lucros nas grandes teses de commodities e energia. Na ponta das baixas da carteira ampla, papéis como Ourofino Saúde Animal (OFSA3) e Metalúrgica Gerdau (GOAU3) figuraram entre as pressões negativas da jornada.

Dólar

O dólar comercial fechou o dia em alta de 0,42%, cotado a R$ 5,108 na venda. A divisa norte-americana apresentou oscilação firme ao longo do pregão, estabelecendo a cotação mínima de R$ 5,051 e atingindo o patamar máximo de R$ 5,121.

A valorização da moeda refletiu o fluxo de proteção cambial e a remontagem de posições defensivas por fundos e investidores institucionais que antecedeu os comunicados do Federal Reserve e do Copom. Embora a distensão recente no Golfo Pérsico tenha gerado alívio prévio nos contratos de petróleo, o cenário de inflação doméstica resiliente e a proximidade das definições sobre o diferencial de juros limitaram o espaço para o real, empurrando a taxa de câmbio de volta para cima da barreira de R$ 5,10.

O fechamento negativo da bolsa sinaliza que o mercado preferiu zerar posições de risco antes de conhecer o tom do comunicado do Banco Central.

A redução da Selic para 14,25% deve redefinir o comportamento dos juros futuros e das ações de consumo na abertura do próximo pregão.

Leia mais: Dario Durigan diz que BC falhou na supervisão do Banco Master

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