Café, carne e mais: quais produtos estão na lista de exceções e não serão taxados pelos EUA

Mesmo com sobretaxa de 25% aplicada a produtos brasileiros, Washington exclui itens cruciais para evitar inflação e desabastecimento no mercado americano

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Café, carne e mais: quais produtos estão na lista de exceções e não serão taxados pelos EUA
REUTERS/Hollie Adams/File Photo

Os Estados Unidos oficializaram a aplicação de uma tarifa geral de 25% sobre as importações de diversos produtos brasileiros. Contudo, em uma decisão de caráter estratégico, o governo americano decidiu poupar itens cruciais da balança comercial do Brasil e excluí-los dessa nova sobretaxa.

A medida, resultante de uma longa investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, entrará em vigor no dia (22/07).

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Quais produtos brasileiros ficaram fora da sobretaxa?

Para evitar o desabastecimento de mercados internos e o consequente aumento da inflação ao consumidor final nos EUA, a Casa Branca publicou uma lista de exceções que estão livres da cobrança de 25%. São eles:

  • Carne bovina
  • Café
  • Laranja e suco de laranja
  • Petróleo e gás
  • Peças e componentes aeroespaciais
  • Mercadorias que já estiverem em trânsito (enviadas antes da entrada em vigor da medida)

Por que esses produtos foram poupados?

A exclusão de alimentos e energia reflete diretamente o panorama econômico e as necessidades internas dos próprios Estados Unidos:

  1. Carne bovina: os EUA enfrentam atualmente o menor rebanho bovino dos últimos 75 anos. Aplicar um tarifaço à carne brasileira causaria uma alta abrupta e indesejada de preços nas prateleiras dos supermercados americanos;
  2. Café e suco de laranja: o Brasil detém uma liderança massiva no fornecimento dessas commodities. Uma taxação violenta puniria diretamente as indústrias de bebidas americanas e o consumidor no café da manhã, pois não haveria outros fornecedores globais capazes de suprir a demanda rapidamente;
  3. Componentes aeroespaciais: o setor de aviação depende de parcerias industriais globais altamente integradas (como as cadeias de suprimentos de aeronaves). Taxar essas peças prejudicaria indústrias americanas de defesa e aviação civil.

Leia mais: Novo tarifaço tem taxas de 25% contra produtos do Brasil

O que motivou a tarifa de 25% contra o Brasil?

A investigação que levou à aplicação das tarifas foi aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O relatório classificou certas políticas e práticas brasileiras como “irracionais” ou capazes de restringir de maneira desleal o comércio norte-americano. Os principais pontos de queixa dos EUA incluem:

  • O Pix e o mercado de pagamentos: o governo americano alega que a ampla dominância e as regras de governança do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central brasileiro poderiam dar tratamento privilegiado e desfavorecer empresas privadas estrangeiras de tecnologia de pagamentos (como as bandeiras de cartões americanas);
  • Propriedade intelectual e pirataria: os EUA apontam deficiências brasileiras no combate ao comércio de produtos falsificados, citando nominalmente polos de comércio informal como a Rua 25 de Março, em São Paulo;
  • Acesso ao mercado de etanol: o setor de biocombustíveis dos EUA reclama de barreiras comerciais brasileiras que dificultam a entrada do etanol americano no país;
  • Questões ambientais e parcerias comerciais: deficiências apontadas pelo USTR no combate ao desmatamento ilegal no Brasil, além da contestação de tarifas supostamente preferenciais que o Brasil concede a concorrentes comerciais, como a Índia e o México.

Leia mais: Governo Lula vai aplicar Lei da Reciprocidade contra tarifas de Trump

Como o governo brasileiro está reagindo?

O Ministério da Fazenda do Brasil, que vinha acompanhando os desdobramentos, já sinalizou a intenção de acionar a Lei da Reciprocidade, o que abriria caminho para o Brasil aplicar tarifas retaliatórias equivalentes sobre importações vindas dos EUA.

Por outro lado, o governo americano afirmou esperar que o Brasil não adote uma postura de retaliação e alertou que novas ações comerciais recíprocas poderiam inflamar ainda mais as tensões comerciais bilaterais entre as duas potências americanas.

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