O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu não participar dos atos do Dia do Trabalhador pelo segundo ano consecutivo. Sem agenda pública, o mandatário permaneceu em Brasília nesta sexta-feira (1º), enviando representantes do governo para os eventos.
A ausência sublinha um esvaziamento histórico das mobilizações sindicais e coincide com um esforço do Planalto em focar em medidas de alívio econômico, como o Desenrola 2.0, para tentar melhorar a avaliação do governo em ano eleitoral.
O consultor eleitoral Wilson Pedroso, em entrevista ao programa TMC 360, apresentado por Joana Treptow e Raphael Thebas, apontou que o afastamento do presidente é uma consequência direta da perda de força dessas manifestações.
“Com a reforma trabalhista no governo Michel Temer, onde acabaram com o imposto sindical, essas grandes manifestações vêm ao longo do tempo cada vez mais esvaziadas”, explicou o especialista. Antes, segundo ele, os eventos eram mobilizados com “sorteios de carro” e “artistas famosos”.
A última aparição pública de Lula no 1º de Maio ocorreu em 2024, na Arena Corinthians, em São Paulo. O evento, no entanto, registrou baixa adesão, o que levou o presidente a cobrar publicamente o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência (SG), Marcio Macedo, pela falta de público.
“As imagens para ele foram horríveis e ele no palanque reclamou da falta de mobilização. A partir desse momento, ele parou de ir nas mobilizações”, completou o consulto. Ele destacou que uma foto com pouco público em ano eleitoral “pegaria mal em qualquer momento”, especialmente para o PT após uma semana politicamente difícil no Congresso.
Desenrola 2.0: pacote de bondades contra o mau humor eleitoral
Enquanto os palanques do 1º de Maio perdem força, o governo redireciona seus holofotes para a televisão. Em pronunciamento nacional exibido ontem, Lula anunciou o Desenrola 2.0, programa que permitirá o uso de até 20% do FGTS para a renegociação de dívidas das famílias brasileiras. O lançamento oficial do programa ocorrerá na próxima segunda-feira, no Palácio do Planalto.
Para Pedroso, o movimento tem claro caráter eleitoral, justificado pelo alto nível de endividamento da população, que puxa para baixo a aprovação do presidente.
“Um dos principais [fatores] é o endividamento das pessoas. Endividamento, cartão de crédito, cheque especial. Por mais que as pessoas tenham uma renda per capita um pouco maior, o carrinho de supermercado continua vazio, porque cai na conta o salário e o cheque especial já come metade”, explicou.
Segundo Pedroso, a liberação do FGTS é para dar um alívio momentâneo e tentar melhorar o “bom humor com o governo”. Ele ressalta, no entanto, que esses “pacotes de bondade” são de praxe na política, citando medidas tomadas também pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.




