“Taxa das blusinhas só gerou inflação e arrecadação”, alerta economista

Nova pesquisa aponta que demanda por compras internacionais de até US$ 50 caiu 19,4% após a implementação da taxa

Por Redação TMC | Atualizado em
Foto: Freepik

A implementação da “Taxa das Blusinhas”, a tributação de 20% sobre importações de até US$ 50, gera controvérsia entre os especialistas.

Há dois anos, a medida foi anunciada pelo governo Lula como como um escudo para a economia nacional, porém os resultados não alcançaram os objetivos esperados. Em entrevista à TMC, o economista Jason Vieira afirmou que a taxa teve um impacto negativo no bolso do consumidor e nos balanços das varejistas.

“A taxa não teve efeito nenhum a não ser a proteção do varejo, mais nada. Mas ela não protegeu empregos; protegeu, na verdade, os ganhos do varejo. A promessa de proteger a indústria nacional não fez diferença nenhuma e, em relação aos empregos, os efeitos foram nulos”, afirma o economista.

Segundo uma nova pesquisa divulgada pela consultoria Global Intelligence and Analytics a nova tributação teve impacto direto sobre o comportamento do consumidor. A demanda por compras internacionais de até US$ 50 caiu 19,4% após a implementação da taxa.

O preço dos produtos também foi impactado. Segundo a pesquisa, houve alta nos preços principalmente nos setores de cosméticos (+17), bijuterias (+16) e papelaria (+13). 

Inflação e Arrecadação: Os reais subprodutos

De acordo com o especialista Jason Vieira , a taxação teve dois efeitos práticos e imediatos na economia brasileira: o inflacionário e o arrecadatório

Ao encarecer itens de baixo valor agregado, como peças de vestuário e acessórios eletrônicos (cabos e carregadores), o governo elevou a arrecadação, mas também pressionou os índices de preços.

Jason destaca que o e-commerce não é apenas uma tendência, mas um motor de produtividade global que atende localidades onde o varejo físico não chega. No entanto, a estrutura tributária brasileira atual cria distorções onde o ambiente digital é usado como “atalho” fiscal pelas próprias lojas físicas.

“O e-commerce se tornou um novo modal de compras. Muitas vezes, você vai a uma loja física e o preço no aplicativo é mais acessível. Isso é pura lógica tributária. O tratamento diferenciado para vendas online faz com que as empresas incentivem essa plataforma, às vezes vendendo online para você retirar o produto na hora dentro da loja física”, explica Vieira.

O futuro do consumo

Para o economista, a manutenção dessa estrutura prejudica a competitividade e o acesso ao consumo. Enquanto o mundo caminha para uma integração logística cada vez maior, o Brasil corre o risco de permanecer isolado em um modelo que prioriza a arrecadação em detrimento da eficiência produtiva e do bem-estar do consumidor final.

Leia mais: “Dois anos depois, ‘taxa das blusinhas’ se mostrou uma política ineficiente”, diz Diretor Executivo da Amobitec

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