A cotovelada de Leonardo em Tab Ramos, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 1994, permanece como o episódio mais marcante e controverso da carreira do ex-lateral da Seleção Brasileira. O lance ocorreu há exatos 32 anos, em um 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, durante a vitória brasileira por 1 a 0, e mudou o rumo da participação do jogador no Mundial.
Aos 43 minutos do primeiro tempo, Leonardo atingiu o meio-campista americano com uma cotovelada e recebeu cartão vermelho direto. Tab Ramos sofreu fraturas no crânio, além de uma concussão, e precisou ser levado ao hospital e ficou internado durante a recuperação. Anos depois, o ex-jogador americano afirmou que, ao cair no gramado, chegou a acreditar que morreria em consequência do impacto.
“De um momento para o outro, vem uma expulsão… justa! Eu tinha que ser expulso. Mas eu não queria dar uma cotovelada na cabeça dele. Eu fiz um movimento achando que ia pegar no braço dele, porque ele estava me puxando. E não era a primeira vez, acho que era a terceira vez. Eu estava apoiando muito e, com certeza, ele entrou para me marcar. Ficava toda hora me segurando, e isso irrita”, relatou o brasileiro ao Charla Podcast, quando os entrevistadores, como de praxe nas vezes em que Leonardo fala, tocaram no assunto.
Três minutos depois, no intervalo, o time vai para o vestiário. Aí vem o Bebetinho, com aquele jeito de menino dele: ‘Ô meu rei, fica tranquilo, fica assim não. Eu vou fazer um gol, a gente vai ganhar esse jogo’. Ele falou isso, e aí foi lá e fez o gol de 1 a 0. Gol difícil, jogo difícil… dava para ter complicado tudo. Imagina perder aquele jogo, seria terrível! Ele fez o gol e ganhamos.”
A Fifa puniu Leonardo com quatro partidas de suspensão, o que significou sua exclusão do restante da Copa do Mundo — a pena ainda se estendeu ao primeiro jogo da Copa América de 1995.
Na ausência do titular, Branco assumiu a lateral esquerda e acabou se tornando um dos personagens da campanha do tetracampeonato. Nas quartas de final, marcou o histórico gol de falta que garantiu a vitória por 3 a 2 sobre a Holanda e colocou o Brasil nas semifinais.
Leonardo sempre afirmou que não teve a intenção de atingir Tab Ramos. Logo após a partida, visitou o americano no hospital para pedir desculpas. Em entrevistas ao longo dos anos, reconheceu que a expulsão foi correta, mas sustentou que o golpe aconteceu durante uma disputa de bola e não teve caráter deliberado.
“Saí do estádio e fui para o hospital. Ele tinha sido internado, a pancada pegou na têmpora. Ele teve um princípio de confusão mental e ficou uma semana no hospital em observação porque perdeu um pouco os sentidos. Eu fui ao hospital e fiquei com ele lá um tempão. Voltei no dia seguinte e, quando ele saiu, a gente se encontrou. Nós ficamos amigos”, destaca o tetracampeão.
O ex-jogador também costuma lembrar que o episódio contrastava com seu histórico disciplinar. Antes daquela partida, ele tinha apenas uma expulsão na carreira e era conhecido pelo estilo técnico e pelo comportamento tranquilo dentro de campo.
Mesmo após conquistar o título mundial com a Seleção, Leonardo considera aquele momento um dos mais difíceis de sua trajetória. Ele vivia excelente fase, era titular absoluto do Brasil e vinha sendo apontado entre os destaques da Copa até a expulsão.
Apesar do impacto do episódio, Leonardo conseguiu reconstruir a carreira nos anos seguintes. Deixou de atuar prioritariamente como lateral, consolidou-se como meio-campista em clubes europeus e voltou à Seleção Brasileira como titular na Copa do Mundo de 1998.
Mais de três décadas depois, a cotovelada em Tab Ramos continua sendo uma das imagens mais lembradas da campanha do tetracampeonato brasileiro, marcando para sempre a carreira de Leonardo, apesar da bem-sucedida trajetória construída antes e depois daquele lance.
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