Lucas de Oliveira Eduardo foi detido nesta quarta-feira (02/09) na cidade de Itaperuna, região interiorana fluminense. A prisão ocorre no âmbito da Operação Falso 9, que reuniu agentes das polícias civis gaúcha e carioca para investigar fraudes cometidas contra personalidades do futebol nacional. O preso se fazia passar pelo treinador Luís Castro, do Grêmio, para enganar atletas e dirigentes.
A principal vítima confirmada é o atacante gremista José Enamorado. Ele transferiu R$ 22 mil para uma conta bancária controlada por uma organização criminosa, segundo a investigação policial. O dinheiro ainda não foi recuperado.
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Como o golpe funcionou
O primeiro contato com Enamorado ocorreu em abril. Para dar credibilidade ao esquema, o suspeito utilizava uma conta de WhatsApp com a foto de Luís Castro e um número com prefixo do Rio de Janeiro. A aproximação foi gradual: nos primeiros dias, as conversas abordavam futebol, vida familiar, rotina e rendimento nos treinamentos. O falso técnico ainda solicitou ao jogador que a troca de mensagens fosse mantida em sigilo.
Após conquistar a confiança da vítima, o golpista introduziu um pedido de cunho financeiro. Alegou estar envolvido com uma iniciativa solidária no Rio de Janeiro voltada à distribuição de cestas básicas, informando que seriam necessárias 300 unidades, cada uma avaliada em R$ 75, e forneceu uma chave Pix para o pagamento. Em 07/05, Enamorado realizou a transferência. Na sequência, o suspeito encaminhou um suposto comprovante de entrega das cestas.
Outros alvos da fraude
O zagueiro argentino Walter Kannemann também recebeu mensagem do falso treinador. A orientação era chegar mais cedo ao Centro de Treinamento do Grêmio. Kannemann desconfiou e procurou confirmar a informação diretamente com o clube, segundo a investigação policial.
O ex-dirigente do Internacional Andrés D’Alessandro foi abordado por alguém se passando por um conhecido, em uma conversa que envolvia dinheiro. Ele também desconfiou e não deu continuidade ao contato.
O levantamento policial indica ainda que Lucas teria adotado táticas semelhantes contra o técnico Dorival Júnior, à época à frente da Seleção Brasileira, além de tentativas de extração de recursos junto a integrantes da diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A investigação, porém, ainda trata esses episódios como hipóteses a serem confirmadas.
Investigação e prisão
As investigações tiveram origem na 4ª Delegacia de Policia Distrital de Porto Alegre, onde o delegado Gabriel Lourenço conduziu o rastreamento do suspeito e requereu sua prisão preventiva, posteriormente decretada pela 2ª Vara de Garantias de Porto Alegre. Em paralelo, a Polícia Civil do Rio de Janeiro apura eventuais crimes da mesma natureza cometidos em território fluminense.
De acordo com as apurações, Lucas teria passado pelas divisões de base do futebol. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar outras possíveis vítimas do esquema.




