O calor pode decidir uma partida de Copa do Mundo?

Na vitória do Brasil contra a Escócia em Miami, os termômetros chegaram aos 30°C

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(Foto: Phil Noble/Reuters)

O calor tem sido um dos grandes protagonistas da Copa do Mundo de 2026. Na vitória da Seleção Brasileira sobre a Escócia, pela última rodada da fase de grupos, às 19h (horário de Brasília), quando a bola rolou em Miami (EUA), os termômetros marcavam 30°C, cenário que exigiu um esforço extra dos atletas e obrigou as comissões técnicas a adaptarem estratégias para minimizar os efeitos das altas temperaturas.

Além do desconforto, o calor extremo pode comprometer o rendimento físico e aumentar os riscos à saúde dos jogadores. Segundo Mirian Mota, fisioterapeuta esportiva especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), a dificuldade de controlar a temperatura corporal acelera o desgaste físico e favorece a fadiga. Estudos mostram que, sob elevado estresse térmico, os atletas podem percorrer cerca de 10% menos distância durante uma partida, além de reduzir a frequência de corridas de alta intensidade.

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“Uma perda corporal superior a 2% já impacta negativamente a termorregulação do atleta e aumenta significativamente o risco de doenças causadas pelo calor. Por isso, o monitoramento da hidratação é fundamental para preservar tanto a saúde quanto o desempenho dos jogadores”, explica.

A especialista destaca ainda que as seleções têm recorrido a estratégias como reposição de eletrólitos, suplementação energética, aclimatação ao calor e monitoramento individualizado da hidratação para reduzir os efeitos das altas temperaturas. Durante as partidas, as pausas para hidratação e os métodos de resfriamento também ajudam a diminuir a sobrecarga física e a preservar o rendimento dos atletas.

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Para Roger Machado, treinador e professor da CBF Academy, o impacto das altas temperaturas vai além da condição física e modifica a forma como o jogo é disputado: “O calor altera diretamente as características da partida. O desgaste físico dos atletas é maior, o que naturalmente deixa o jogo mais lento e cadenciado e aumenta a probabilidade de mais substituições ao longo dos 90 minutos.

Segundo Roger, além do aspecto físico, o calor também interfere na estratégia. “As equipes passam a escolher melhor os momentos para pressionar o adversário, controlam mais a posse de bola para descansar com ela, ajustam a altura da linha defensiva e administram de forma diferente o momento das substituições”, continua.

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Nesse contexto, a parada para hidratação ganha ainda mais importância. “Ela permite que os jogadores se reidratem e recuperem parte das condições físicas, mesmo que por poucos minutos, além de oferecer uma oportunidade para pequenos ajustes táticos durante a partida”, conclui Roger.

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