Após negociação com Paraguai, diretor da Itaipu diz que tarifa em 2027 será reduzida

Enio Verri anuncia que preço cairá dos atuais US$ 16,71 para entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt-mês após negociações com Paraguai

Por Redação TMC | Atualizado em
Água em volume escoando na Hidrelétrica Itaipu
(Foto: Itaipu/Divulgação)

Enio Verri, diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, afirmou que a redução da tarifa de energia da hidrelétrica a partir de 2027 já está praticamente certa. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (13/04) durante visita de jornalistas à usina. As negociações com a direção paraguaia avançam para definir o novo valor e concluir a revisão do “Anexo C”, documento que estabelece as bases financeiras entre Brasil e Paraguai.

Verri afirmou que há “grandes condições” de finalizar a revisão do anexo ainda em 2026. As discussões concentram-se em dois objetivos principais: estabelecer a tarifa para 2027 e concluir a revisão do documento financeiro bilateral.

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As distribuidoras brasileiras pagam atualmente US$ 16,71 por quilowatt-mês pela energia de Itaipu. O Custo Unitário dos Serviços de Eletricidade está fixado em US$ 19,28 desde 2024. A parte brasileira da usina custeia um subsídio de US$ 300 milhões por ano para cobrir essa diferença.

O governo brasileiro mantém como objetivo alcançar um preço entre US$ 10 e US$ 12 por quilowatt-mês a partir de 2027. Esse valor equivale ao custo operacional da hidrelétrica. Em abril de 2024, Brasil e Paraguai fecharam acordo estabelecendo essa meta de preço.

O Paraguai resiste à redução porque não consome toda a energia que lhe cabe da geração de Itaipu. A venda do excedente à parte brasileira representa importante fonte de receita para o país. O governo brasileiro trata a redução de preços como “política pública”. O interesse paraguaio está na manutenção das receitas provenientes dos excedentes.

O Paraguai consome 36% da energia gerada em Itaipu. Esse percentual representa 85% de toda a demanda energética paraguaia. O Brasil consome os 64% restantes da produção da usina. Isso corresponde a 7% ou 8% da demanda nacional.

As tratativas foram interrompidas em abril de 2025. Surgiram suspeitas paraguaias sobre espionagem da Agência Brasileira de Inteligência contra autoridades do país para obter informações sobre o tema. O impasse diplomático foi superado em julho de 2025. O presidente Lula se reuniu com o presidente paraguaio Santiago Peña durante a Cúpula do Mercosul em Buenos Aires.

“Já começamos o diálogo com o Paraguai para discutir a tarifa do ano que vem. A única coisa que eu posso afirmar, com toda autoridade, é que o preço será menor. Isso está dado. Não há mais o que conversar sobre isso”, declarou Verri. Ele acrescentou: “Uma coisa é certa, a partir do ano que vem, sem a menor sombra de dúvida, seremos a menor tarifa de energia do país”.

A expectativa é eliminar o diferencial atual entre as tarifas dos países. Isso encerraria o subsídio pago pela parte brasileira.

A mudança no “Anexo C” para eliminar a obrigatoriedade de venda de excedentes de energia ao país sócio segue como ponto pacífico entre as partes, segundo Verri. Essa alteração poderia permitir que o Paraguai venda energia no mercado livre, inclusive para outros países.

Questionado sobre declarações recentes de autoridades paraguaias acerca de uma mudança no perfil de Itaipu para ampliar escopo e disputar novos projetos de geração, Verri sinalizou que essa possibilidade está descartada pelo governo brasileiro. A intenção paraguaia seria incrementar lucros em detrimento da modicidade tarifária.

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O diretor-geral afirmou que tal mudança exigiria alterar o perfil da estatal binacional. Isso a aproximaria da lógica privada. O governo brasileiro vê na hidrelétrica uma função estratégica de compensação da intermitência de outras fontes renováveis, como solar e eólica. A usina atua como estabilizador do sistema energético nacional.

“Para fazer isso [disputar novos mercados e projetos] teria que sair das amarras da gestão pública. E o mercado tem suas regras. Já falei aqui da questão das energias intermitentes. Quando vai chegando 16h, 17h, há um salto [na demanda] e Itaipu tem que dobrar a entrega de energia firme para o Brasil, senão falta.” Nós hoje temos o papel de bateria do Brasil. Então não há como, com esse papel que temos, fazer uma disputa de mercado. […] O papel que foi imposto, pela dinâmica de desenvolvimento econômico do Brasil, para Itaipu não dá espaço a essa expectativa do Paraguai”, afirmou Verri.

Brasil e Paraguai compartilham interesse no aumento da geração de energia. O incremento atenderia imediatamente o Brasil. Futuramente, atenderia o Paraguai, quando o país não tiver mais excedentes.

Verri informou que já existem análises para contratação de consultorias internacionais. O objetivo é estudar a viabilidade de uma repotenciação das 20 unidades geradoras da usina. A medida poderia trazer um ganho marginal à capacidade instalada atual de 14 mil GW.

Há conversas com a Empresa de Pesquisa Energética sobre o tema.

Está em discussão a possibilidade de construir mais duas unidades com capacidade idêntica às demais. Cada uma teria 700 MW de capacidade.

A construção exigiria atenção aos impactos na margem argentina do Rio Paraná. O nível do rio poderia baixar demais. Apenas duas unidades de geração como essas têm, juntas, vazão equivalente à das Cataratas do Rio Iguaçu, próximas da usina.

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