Manuel Adorni, de 46 anos, anunciou sua saída do governo argentino no sábado (27/06) por meio de uma carta publicada nas redes sociais. Ele ocupava o cargo de chefe de Gabinete e era um dos nomes mais próximos do presidente Javier Milei.
A demissão ocorre após Adorni admitir publicamente ter omitido US$ 500 mil, cerca de R$ 2,6 milhões, em declarações de bens. Segundo ele próprio, os valores correspondiam a economias obtidas com investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018.
A contradição com declarações anteriores agravou a situação. Em abril, Adorni havia afirmado ao Congresso argentino que “nunca houve ocultação alguma” de seu patrimônio. A admissão pública desfez essa versão.
Investigação federal e pressão sobre o cargo
O caso está sob análise da Justiça Federal argentina. As apurações vão além da omissão patrimonial: incluem denúncias sobre aquisição e reforma de imóveis por centenas de milhares de dólares, conforme informações disponíveis sobre o processo.
Na manhã de sexta-feira (26/06), durante visita à Espanha, Milei havia declarado que só afastaria Adorni se a Justiça o considerasse culpado de corrupção. O presidente tentou mantê-lo no posto até o último momento. A carta de demissão, publicada horas depois, encerrou o impasse.
Trajetória no governo Milei
Adorni ingressou no governo em dezembro de 2023 como porta-voz presidencial. Foi promovido a chefe de Gabinete em novembro passado, tornando-se o segundo nome mais importante da administração.
Na carta, ele escreveu: “Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra”. No mesmo texto, acrescentou: “Obrigado. Obrigado por compreender as razões e por me compreender: pela primeira vez desde aquele 10 de dezembro de 2023, estou a contrariar os seus desejos. Obrigado por finalmente aceitar a minha demissão desta vez”.
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