O ativista brasileiro Thiago Ávila foi libertado e deportado pelas autoridades de Israel neste domingo (10/05), após passar mais de uma semana detido em uma prisão de segurança. Ávila e o cidadão espanhol Saif Abu Keshek foram presos entre os dias 29 e 30 de abril, quando integravam a flotilha Global Sumud, que tinha como destino a Faixa de Gaza.
A embarcação, que partiu da Europa com o objetivo de entregar ajuda humanitária e romper o bloqueio naval israelense, foi interceptada por forças militares em águas internacionais, próximo à costa da Grécia. Enquanto a maioria dos passageiros foi liberada em solo grego, Ávila e Keshek foram transferidos para Israel para interrogatórios.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel justificou a deportação afirmando que a investigação sobre a ida dos ativistas para Gaza foi concluída e classificou a dupla como “provocadores profissionais”.
O governo israelense alegou que Ávila respondia por “atividades ilegais”, enquanto Keshek era suspeito de ligação com um grupo terrorista. Ambos os ativistas rejeitaram as acusações, negando qualquer envolvimento com organizações terroristas ou atos fora da lei.
Denúncias de Maus-Tratos e Pressão Internacional
A organização de direitos humanos Adalah, que acompanhou os detidos, condenou a ação israelense como uma “flagrante violação do direito internacional”. A entidade denunciou que os ativistas foram submetidos a maus-tratos contínuos, incluindo isolamento total, exposição a iluminação de alta intensidade 24 horas por dia e o uso de vendas nos olhos durante transferências e exames médicos.
A prisão gerou forte reação diplomática. Os governos do Brasil e da Espanha denunciaram as detenções, e o presidente Lula chegou a pedir a soltura imediata de Ávila. A Organização das Nações Unidas (ONU) também interveio, solicitando a libertação incondicional e cobrando investigações sobre os relatos de abusos durante o período de cárcere.
Retorno ao Brasil
Após a libertação, Thiago Ávila desembarcou no Cairo, Egito, onde permanece abrigado na Embaixada do Brasil. A previsão é que o ativista retorne ao território brasileiro nesta segunda-feira (11/05). Israel reiterou, por meio de nota oficial, que não permitirá qualquer violação do bloqueio naval a Gaza, mantido desde 2007.




