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Apresentador do TMC 360, Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem especializações em Relações Internacionais, Ética na Administração Pública, História da Arte e Marketing Digital.

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Eleições na Palestina: por que o anúncio esbarra no ceticismo

Com o Hamas fora do governo de Gaza e Israel enfrentando seu próprio pleito em outubro, os planos de Mahmoud Abbas esbarram na intransigência territorial e desconfiança mútua

Por
Bandeiras da Palestina
(Foto: Monirul Islam/Pexels)

A Autoridade Palestina anunciou que vai realizar eleições parlamentares no fim deste ano. Quais as chances de isso realmente acontecer?

O processo de renovação do Conselho Legislativo Palestino, anunciado na quinta-feira (09/07) após a assinatura de um decreto pelo presidente Mahmoud Abbas, está previsto para 28 de novembro (vale lembrar que há eleições presidenciais marcadas para o ano seguinte). O anúncio se dá logo após a saída oficial do Hamas do governo da Faixa de Gaza.

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Ambos os movimentos, separados por poucos dias, têm peso simbólico e prático. O Hamas é inimigo declarado de Israel, e o governo de Binyamin Netanyahu tem a existência do grupo como principal argumento para manter as ações militares nos territórios ocupados, assim como no sul do Líbano.

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A saída formal do Hamas da liderança política palestina poderia ser um indicativo de possibilidade concreta de conversas entre os lados em conflito, mas a descrença na retirada de verdade do grupo é grande tanto do lado de Israel como dos próprios palestinos.

O elemento Hamas não é o único obstáculo para as eleições. Segundo o decreto, cidadãos dos três territórios palestinos – Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental – poderão votar, retomando um direito exercido pela última vez em 2006 (e tentado pela última vez, sem sucesso, em 2021).

Mas Jerusalém Oriental não existe para os israelenses, que a consideram capital indivisível e não permitem nenhuma atividade política da AP na cidade. Porém, Abbas é claro neste ponto: se os moradores da cidade sagrada forem impedidos de votar, não haverá eleição.

De agora até o fim do ano, para além das ações armadas, as articulações políticas vão se intensificar dos dois lados. Israel também tem eleições parlamentares previstas para este fim de ano, praticamente um mês antes das palestinas: 27 de outubro, com chances inclusive de antecipação.

Independentemente da data, nenhuma análise séria permite dizer que, mais ou menos conservador, o futuro Knesset será amigável ao processo político desejado pela Autoridade Palestina. Antes de existir na prática, o impasse já está criado na teoria.

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