Brasileira processa empresa de MrBeast e relata assédio moral e sexual

Ex-funcionária relata ambiente hostil, episódios de assédio e demissão após volta de licença-maternidade

Por Agência JAGR | Atualizado em
Mulher loira e de olho claro. Usa brinco de pérola.
(Foto: lorraynemavromatis via Instagram)

Uma brasileira decidiu levar à Justiça dos Estados Unidos denúncias envolvendo a empresa do youtuber MrBeast, considerado o maior do mundo. A ex-funcionária Lorrayne Mavromatis afirma, nas suas redes sociais nesta quarta-feira (22), ter sofrido assédio moral e sexual durante os três anos em que trabalhou na companhia.

Segundo o relato publicado nas redes sociais, ela ocupava um cargo de liderança e, frequentemente, era a única mulher em reuniões executivas. Durante essas reuniões, descreve ter enfrentado situações constrangedoras e desvalorização profissional constante.

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MrBeast, alcunha de Jimmy Donaldson, possui quase 500 milhões de inscritos no YouTube. Seus vídeos ganharam fama após diversos desafios que envolvem grandes quantias de dinheiro, além de investir valores considerados milionários em suas gravações.

Nos últimos três anos, eu trabalhei na MrBeast Industries. […] Eu estava genuinamente, profundamente orgulhosa de ter a oportunidade de trabalhar ao lado de alguns dos melhores do setor”, afirma Lorrayne.

Ambiente de trabalho sob pressão

De acordo com Lorrayne, ideias apresentadas por ela eram ignoradas ou desqualificadas, enquanto sugestões semelhantes feitas por colegas homens eram bem recebidas. Em algumas ocasiões, afirma ter sido chamada de “burra” e silenciada diante da própria equipe.

“Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra — apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa 90 segundos depois e receber uma rodada de aplausos”, diz a brasileira. “Me mandaram calar a boca na frente de toda a minha equipe”, complementa.

Outro ponto levantado envolve reuniões privadas que, segundo ela, ocorriam fora do ambiente corporativo. A brasileira relata que foi convocada a participar de encontros a sós com o então CEO da empresa, James Warren, em situações que considera inadequadas. Durante esses momentos, afirma ter ouvido comentários não profissionais sobre sua aparência, o que é classificado como assédio. “Tive que escutar o quão atraente e bonita eu era.”

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Licença-maternidade e retorno antecipado

A denúncia também inclui críticas à forma como sua gestação foi tratada pela empresa. Lorrayne afirma que, mesmo com a licença-maternidade formalmente aprovada, continuou sendo acionada para reuniões e demandas profissionais.

Segundo o relato, ela participou de compromissos de trabalho até momentos próximos ao parto e retomou atividades poucos dias após o nascimento do bebê, ainda em recuperação. A situação, segundo ela, gerou desgaste físico e emocional significativo.

Eu tinha uma licença-maternidade aprovada e assinada pelo RH e concordei que trabalharia até o meu último dia de gravidez. Eu disse: ‘Enquanto eu estiver em trabalho de parto a caminho do hospital, eu ligarei para vocês. E é aí que quero que minha licença comece'”.

No papel, parecia lindo, mas, na realidade, não significava nada. Eu estava no hospital em trabalho de parto em uma reunião de equipe; uma semana após o parto, ainda me recuperando, privada de sono, emocionalmente e fisicamente exausta, eu já estava de volta ao trabalho.”

Pouco tempo depois de retornar oficialmente ao trabalho, a brasileira afirma que foi demitida. De acordo com a ação, a justificativa apresentada pela empresa não condizia com seu desempenho, levantando suspeitas de retaliação.

Processo aponta irregularidades

O processo judicial, protocolado na Carolina do Norte, inclui acusações de violação de leis trabalhistas dos Estados Unidos, principalmente no que diz respeito à licença familiar e médica. A ação também descreve o ambiente corporativo como desigual, com práticas que favoreciam homens em cargos de liderança.

Entre os pontos citados estão exclusão de reuniões, tarefas consideradas humilhantes e falta de orientação adequada sobre direitos trabalhistas. A ex-funcionária afirma ainda que foi substituída por um homem após sua saída.

Até o momento, a empresa não se manifestou publicamente sobre as acusações. Já Lorrayne afirma que decidiu tornar o caso público não apenas por sua experiência pessoal, mas também para encorajar outras mulheres a denunciarem situações semelhantes no ambiente de trabalho.

Hoje estou tomando medidas legais. Por todas as mulheres que enfrentaram medo no ambiente de trabalho, que foram levadas a acreditar que precisam escolher entre seus filhos ou suas carreiras. Por cada mulher que foi silenciada. Tentaram me silenciar o suficiente, mas chega”, finaliza.

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