Os advogados da ex-deputada federal Carla Zambelli afirmaram, no início de julho de 2026, desconhecer o paradeiro da cliente. A declaração veio após o deputado italiano Angelo Bonelli afirmar publicamente que Zambelli havia desaparecido da vida pública. Segundo Bonelli, “a última vez que a Carla Zambelli foi vista em público foi numa igreja em Roma, num encontro de apoio a ela”.
As declarações foram feitas por Bonelli em São Paulo nesta terça-feira (22/07). Porta-voz da Alleanza Verdi Sinistra (partido de centro-esquerda italiano) e eleito pela região de Emilia-Romagna, ele afirmou ter sido o responsável por comunicar à polícia italiana o paradeiro de Zambelli — informação que resultou em sua prisão em 29/07 do ano passado, num apartamento localizado no bairro Aurelio, Roma.
Em julho de 2026, a Corte de Cassação, tribunal superior da Itália, anulou a decisão de extradição de Zambelli proferida pela Corte de Apelação de Roma, determinando que o processo seja reiniciado desde o começo. Bonelli acredita que o novo julgamento ocorra ainda em 2026. O governo brasileiro, por sua vez, espera que os juízes analisem o processo entre setembro e outubro deste ano.
Na prática, isso significa que a extradição de Zambelli para o Brasil segue suspensa enquanto a Justiça italiana não concluir o novo julgamento. O advogado Pieremilio Sammarco, da defesa de Zambelli, não retornou aos contatos do UOL até 22/07.
Bonelli compara caso ao de Battisti
O deputado italiano traçou um paralelo com o caso de Cesare Battisti, italiano condenado por quatro assassinatos. Em 2009, o então presidente Lula concedeu asilo político a Battisti. Em 2019, Battisti foi extraditado e retornou à Itália. “Cesare Battisti foi extraditado. Agora está na Itália, numa prisão italiana”, afirmou Bonelli, que citou o caso para reforçar o argumento de que ninguém está acima da lei.
Segundo Bonelli, Zambelli “está esperando o desfecho da eleição brasileira”. Ele afirmou que “se o [Flávio] Bolsonaro ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crime como a Carla Zambelli”, ressalva que o próprio deputado apresentou como hipótese, não como certeza.
Bonelli também criticou o uso da cidadania italiana como meio de escapar da Justiça brasileira. Segundo ele, “quando uma pessoa foge da Justiça, não é uma postura boa, especialmente quando essa pessoa tem uma responsabilidade pública”.
Em 2022, Bonelli publicou uma foto ao lado de Marina Silva, então ministra do Meio Ambiente. O deputado tem 64 anos e nasceu em Roma.




