O Irã afirmou nesta segunda-feira (13/07) que lançou uma nova ofensiva contra instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio, ampliando a escalada do conflito entre os dois países e colocando em risco o acordo de paz firmado em junho para encerrar a guerra na região.
Segundo a Guarda Revolucionária, foram realizados ataques contra bases militares americanas no Bahrein, Kuwait, Omã e Jordânia, em resposta às operações conduzidas pelos Estados Unidos contra alvos iranianos nos últimos dias.
De acordo com o comunicado iraniano, foram atingidas a base de Sheikh Isa e instalações militares dos EUA em Juffair, no Bahrein. No Kuwait, o alvo foram bases americanas. Na Jordânia, o Irã afirma ter atingido a Base Aérea Príncipe Hassan, provocando incêndios em tanques de combustível e depósitos de munição com o uso de mísseis e drones. Em Omã, Teerã diz ter destruído um radar utilizado para monitoramento marítimo.
No Bahrein, o Ministério do Interior informou que sirenes de alerta foram acionadas durante a ofensiva. Segundo a Associated Press, foi a segunda vez desde o início da retaliação iraniana que o país emitiu alerta para possível ataque com mísseis.
Ao mesmo tempo, o governo iraniano ameaçou abandonar o acordo de paz firmado com os Estados Unidos em junho, caso Washington deixe de cumprir os compromissos assumidos para encerrar o conflito.
“O outro lado, sempre que deixou de cumprir suas obrigações, nós também não cumpriremos as nossas”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, ao comentar a nova escalada militar.
A ofensiva ocorre após novos ataques americanos contra sistemas iranianos de defesa aérea, radares, capacidades de mísseis, drones e embarcações militares, segundo informações divulgadas pelos Estados Unidos. Em entrevista no domingo (12/07), o presidente Donald Trump afirmou que as forças americanas estavam “dando uma surra neles” ao comentar as operações contra o Irã.
As novas hostilidades aumentam as dúvidas sobre a sobrevivência do acordo firmado em 17 de junho, que previa um cessar-fogo mais duradouro, a reabertura do Estreito de Ormuz e negociações para um tratado definitivo entre os dois países.
O confronto também amplia a tensão no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado mundialmente. O Irã voltou a defender restrições à navegação na região e afirmou que a normalização do tráfego depende do fim das operações militares americanas. Segundo Teerã, a continuidade da presença dos EUA poderá provocar novos incidentes capazes de afetar o mercado global de petróleo e gás.
O aumento das tensões teve reflexo no mercado internacional. O petróleo Brent avançou mais de 4% nesta segunda-feira, diante da preocupação de investidores com possíveis impactos sobre o abastecimento mundial de energia.
*Com informações da Reuters
Leia mais: Irã amplia ataques a países do Golfo Pérsico após investidas dos EUA e diz que Ormuz está fechado




