Israel celebra demolição de abrigos palestinos; ONU vê violação do direito internacional

Forças israelenses expulsaram seguranças e demoliram estruturas da Agência da ONU para Refugiados Palestinos na madrugada desta terça

Por Redação TMC | Atualizado em
(Foto: REUTERS/Ammar Awad)

Tratores israelenses demoliram estruturas da sede da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental nesta terça-feira (20/01). A operação teve início às 5h da manhã no horário local, equivalente às 2h no horário de Brasília, quando forças israelenses expulsaram os seguranças do local e iniciaram a destruição do complexo.

A ação ocorre em meio às acusações do governo israelense de que a UNRWA funciona como fachada para milicianos do Hamas. Israel alega que funcionários da agência participaram do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 contra seu território.

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores de Israel defendeu a medida. “A UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações no local e não tinha mais pessoal da ONU nem realizava quaisquer atividades das Nações Unidas ali. O complexo não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua confiscação pelas autoridades israelenses foi realizada de acordo com o direito israelense e internacional”, afirmou a pasta.

O complexo atingido está situado na parte predominantemente árabe de Jerusalém Oriental, área anexada por Israel. A sede estava desocupada desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei israelense que proíbe as operações da agência naquela região, após disputas sobre o trabalho da UNRWA na Faixa de Gaza.

A proibição se aplica apenas a Jerusalém Oriental, permitindo que a agência continue suas atividades na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza.

Roland Friedrich, diretor da UNRWA para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, classificou o ataque como “sem precedentes” e afirmou que a demolição “é uma grave violação do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas”.

Jonathan Fowler, porta-voz da agência, complementou: “Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar as instalações da ONU”. Fowler alertou ainda que “Isso deveria servir de alerta” e que “O que está acontecendo com a UNRWA hoje pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática ao redor do mundo”.

Em dezembro, o diretor-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens no local pelas autoridades israelenses, incluindo “móveis, equipamentos de informática e outros bens”, além da substituição da bandeira da ONU por uma bandeira israelense.

As relações entre Israel e a UNRWA deterioraram-se desde o início da guerra em Gaza. Meses após o início do conflito em outubro de 2023, as autoridades israelenses declararam o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o diretor-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, personas non gratas.

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, visitou brevemente o local da demolição, conforme registrado por um fotógrafo da AFP. Em comunicado, Ben Gvir celebrou a ação: “Este é um dia histórico, um dia de celebração e um dia muito importante para a governança de Jerusalém”.

O ministro ultradireitista acrescentou: “Durante anos, esses apoiadores do terrorismo estiveram aqui, e hoje estão sendo expulsos daqui, juntamente com tudo o que construíram neste local. Isso é o que acontecerá com todos os apoiadores do terrorismo”.

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