Uma delegação iraniana de alto nível partiu para a Suíça neste sábado (20/06) para conversações com os Estados Unidos, segundo informou a mídia estatal iraniana, enquanto o vice-presidente americano, JD Vance, indicou que partiria em breve para reuniões que, segundo o Paquistão, terão início no domingo.
A delegação iraniana foi liderada pelo negociador-chefe Mohammad Baqer Qalibaf e incluiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, além de altos funcionários das áreas de segurança, do banco central e do setor petrolífero, informou a mídia iraniana.
Horas antes, a Guarda Revolucionária Islâmica de Teerã havia declarado o Estreito de Ormuz fechado, o que pareceu elevar riscos antes das negociações, já que ambos os lados buscam avançar em um acordo provisório mediado pelo Paquistão e assinado na quarta-feira pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, para pôr fim à guerra que já dura quase quatro meses.
O Irã alertou os navios para que não se aproximassem da via navegável, um canal vital para o abastecimento global de petróleo e gás, citando o que chamou de “crimes” israelenses no Líbano e uma violação dos compromissos dos EUA de estabelecer um cessar-fogo. A Guarda afirmou que a segurança das embarcações estaria em risco caso se aproximassem do estreito.
O Comando Central dos EUA, no entanto, informou que 55 navios mercantes haviam transitado pelo estreito neste sábado, transportando grandes quantidades de carga e mais de 17 milhões de barris de petróleo para os mercados globais, e que as forças americanas garantiriam a continuidade do tráfego marítimo.
Leia mais: Ataques no Líbano matam 10 mesmo com negociações de cessar-fogo, diz agência
Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, acusou os EUA em X de não cumprirem a primeira cláusula do acordo provisório de 14 pontos com o Irã, que inclui um cessar-fogo “em todas as frentes”, incluindo o Líbano.
Ele afirmou que, enquanto o acordo permanecer apenas no papel, o fluxo de energia do Oriente Médio continuará interrompido.
A trégua no Líbano parecia frágil, já que as forças israelenses e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã, atacavam-se mutuamente.
Preparações para as negociações
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que o Irã pressionaria na Suíça pelo cumprimento dos compromissos, citando falhas anteriores da outra parte em honrar os acordos.
Um pouco antes, a TV Fox News transmitiu uma entrevista com Vance na qual ele disse estar confiante de que o cessar-fogo acordado no pacto de 14 pontos entre Washington e Teerã se manteria, e que não havia visto nenhuma evidência de que o estreito estivesse fechado.
“Espero partir nos próximos dois dias, mas, como você sabe, é sempre uma dança delicada de coordenação e protocolos diplomáticos”, disse Vance.
Ele acrescentou que os negociadores norte-americanos Jared Kushner e Steve Witkoff estavam na Suíça “há algumas horas, lidando com alguns dos aspectos técnicos dessa negociação”. “Pelo que entendi, conversando com Jared e Steve esta manhã, as coisas estão indo bem”, acrescentou ele.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que seus negociadores partiriam para a Suíça ainda neste sábado.
Uma das condições para o início das negociações de 60 dias entre os EUA e o Irã sobre o programa nuclear de Teerã e outras questões é a suspensão dos combates no Líbano.
No entanto, a Defesa Civil libanesa informou que 16 pessoas foram mortas por ataques israelenses no Líbano no sábado, poucas horas após a trégua ter entrado em vigor no país. Israel afirmou que estava respondendo a ataques do Hezbollah, enquanto o grupo apoiado pelo Irã declarou que não permitiria a Israel “liberdade de movimento” no Líbano.
Israel, que ficou de fora das negociações, afirma não ser parte do acordo entre o Irã e os EUA e que manterá suas forças no território libanês que ocupa.
A agência de notícias estatal do Líbano, NNA, informou que aviões de guerra e drones israelenses atacaram locais no sul do Líbano e no Vale do Bekaa no sábado, ambos redutos do Hezbollah.
O serviço de defesa civil informou que 16 pessoas morreram nos ataques.
Um oficial militar israelense disse que o Hezbollah disparou mais de 50 projéteis contra as forças israelenses no sul do Líbano durante a madrugada, e que Israel atacou o que descreveu como alvos do Hezbollah em resposta.
Um comunicado militar afirmou que Israel está comprometido com o cessar-fogo e continuará a agir contra qualquer ameaça a Israel ou às suas forças.
O Ministério da Saúde do Líbano afirma que 4.057 pessoas foram mortas em ataques israelenses desde 2 de março, incluindo profissionais de saúde, mulheres e crianças, embora não especifique quantos dos mortos eram combatentes.
As autoridades israelenses afirmam que pelo menos 32 soldados e quatro civis foram mortos nos combates contra o Hezbollah.
Por Reuters




