O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirma que não vai renunciar, apesar do clima claro de sucessão. A saída do ministro da Saúde, Wes Streeting, e a movimentação de nomes fortes do Partido Trabalhista transformaram um desgaste político em uma disputa velada pelo comando do governo.
O nome que mais cresce é o de Andy Burnham, atual prefeito de Manchester. Para poder disputar a liderança trabalhista e, eventualmente, o cargo de primeiro-ministro, ele primeiro precisa voltar ao Parlamento.
E o processo já começou: um deputado aliado abriu mão da cadeira para que Burnham dispute uma eleição suplementar nas próximas semanas.
O episódio expõe o tamanho da crise interna do partido. Burnham fará campanha como candidato trabalhista defendendo, na prática, a substituição de um primeiro-ministro também trabalhista. Tudo isso acontece depois do forte avanço do Reform UK, partido de ultra-direita que ganhou espaço nas eleições locais e aprofundou o temor de derrota entre os aliados de Starmer.
A situação cria um ambiente de enorme instabilidade política em Londres. Enquanto tenta tocar sua agenda de governo, lidar com a economia, imigração e crises internacionais, Starmer agora também precisa sobreviver politicamente dentro do próprio partido.
E talvez esse seja o ponto mais delicado da atual crise britânica: oficialmente, Starmer continua no comando. Mas nos bastidores, boa parte da política britânica já começou a discutir quem pode substituí-lo.
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