Volker Turk, alto comissário de direitos humanos da ONU, convocou ações imediatas para garantir a proteção de marinheiros encurralados nas tensões envolvendo EUA, Israel e Irã. De acordo com a Organização Marítima Internacional, pelo menos 6.000 marinheiros permanecem retidos no estreito de Ormuz, impedidos de navegar por um conflito iniciado em fevereiro de 2026 que, após breve cessar-fogo, voltou a escalar em julho.
Turk instou os Estados, os proprietários de navios e todos os demais atores relevantes a “garantir com urgência a proteção dos marinheiros retidos”, inclusive por meio de assistência consular e fornecimento de suprimentos essenciais, “e facilitando as retiradas e repatriações”, segundo sua porta-voz, Shabia Mantoo.
Desde o início das hostilidades, 17 marinheiros perderam a vida, segundo registros do órgão de direitos humanos das Nações Unidas. Centenas de embarcações continuam imobilizadas no estreito, sem possibilidade de saída.
Abandono no mar
A condição de parte das tripulações é ainda mais crítica. O órgão onusiano de direitos humanos mapeou 9 navios com 93 tripulantes completamente desamparados pelos armadores. “Os marinheiros foram deixados em seus navios à própria sorte, sem comida, água, combustível, atendimento médico, eletricidade ou meios para se comunicar com suas famílias”, disse Mantoo.
A porta-voz de Turk também alertou: “Os marinheiros continuam expostos a hostilidades à medida que os ataques mortais no estreito persistem, enfrentando riscos iminentes de morte ou ferimentos”.
O estreito de Hormuz tem peso estratégico inegável. Antes das hostilidades, um quinto de todo o petróleo mundial transitava por ali, conforme as Forças Armadas dos EUA. A disputa pelo domínio da passagem opõe Irã e Estados Unidos. Forças iranianas mantiveram uma campanha de ataques a navios-tanque na rota, exigindo pagamentos em troca de travessia sem incidentes. Embora as Forças Armadas dos EUA declarem o estreito aberto à navegação, a ONU alerta que os marinheiros seguem vulneráveis a ataques.
“Ataques contra embarcações civis são inaceitáveis e devem cessar. Elas estão protegidas pelo direito internacional humanitário”, afirmou Mantoo.
Ataques em Odessa
O conflito repercute também nas águas do mar Negro. O órgão de direitos humanos da ONU registrou ao menos 4 incidentes contra embarcações não militares nas proximidades de Odessa em julho de 2026. Ao todo, 34 trabalhadores marítimos morreram ou sofreram ferimentos nesses episódios.
A área concentra uma parcela essencial do escoamento comercial ucraniano. Conforme os dados do texto informativo, 90% das commodities da Ucrânia são exportadas por meio dos terminais portuários do mar Negro situados em Odessa e nas localidades vizinhas. Qualquer ruptura nessa rota impacta diretamente o fornecimento mundial de alimentos e matérias-primas.
Turk pediu que as partes no conflito trabalhem com urgência para garantir a passagem segura dos retidos. “As partes envolvidas no conflito devem trabalhar com urgência para facilitar a passagem segura das pessoas retidos, a fim de que possam ser evacuadas e desembarcar com segurança, bem como garantir a entrega de suprimentos essenciais”, declarou Mantoo. A porta-voz acrescentou: “Os marinheiros não devem ser forçados ou obrigados a colocar suas vidas em risco navegando por zonas de conflito. Tampouco devem correr o risco de sofrer represálias por parte dos proprietários caso recusem essas missões”.




