A juíza Araceli Martínez-Olguín, sediada em Oakland, Califórnia, estendeu por mais 14 dias o bloqueio à aquisição da Paramount pela Warner Bros. Discovery. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (23/07) em resposta a uma ação judicial encabeçada pela Califórnia e apoiada por uma coalizão de 12 estados americanos. A alegação central dos estados é que a fusão pode enfraquecer a concorrência e encarecer filmes e séries de TV, conforme apurou a *Reuters*.
O valor total da transação foi estimado em US$ 110 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 562 bilhões. A próxima audiência no tribunal está marcada para 17/08.
O que está em jogo
Caso a operação seja concluída, a família Ellison — já controladora da Paramount — passará a gerir um conglomerado que reúne marcas como CNN, CBS News, HBO, DC Comics, Harry Potter, Game of Thrones, Paramount Pictures e Nickelodeon. A empresa combinada somaria aproximadamente 200 milhões de assinantes em plataformas de streaming, posicionando-se entre os gigantes globais do setor, ao nível de Netflix e Disney.
Para o consumidor brasileiro que assina plataformas de vídeo, uma fusão desse tamanho pode significar menos opções de serviços independentes e, potencialmente, mudanças nos preços e na oferta de conteúdo.
A posição da Paramount
A Paramount rejeitou as acusações. Por meio de nota enviada à *Reuters*, um porta-voz da companhia declarou: “Estamos confiantes de que as provas demonstrarão que os argumentos antitruste dos procuradores-gerais estaduais não têm fundamento, pois os mercados que eles alegam existir e suas alegações de efeitos anticoncorrenciais não encontram respaldo na realidade dos mercados atuais”.
Os procuradores-gerais de Califórnia, Nova York e Oregon, entre outros estados, estão à frente dos esforços para impedir que a operação se concretize.
Aprovação federal, resistência estadual e europeia
O Departamento de Justiça dos EUA já aprovou a operação em nível federal. Mas a resistência vem de outras frentes. A Comissão Europeia adiou sua decisão para avaliar concessões propostas pela Paramount. O Reino Unido, por sua vez, afirmou que pode intervir na operação por preocupações com concorrência, streaming e o setor de mídia.
A fusão foi anunciada em fevereiro. Desde então, o processo acumulou aprovações e bloqueios em diferentes jurisdições, sem uma resolução final.




