Autoridades de saúde de diversos países tentam localizar ao menos 29 passageiros que deixaram o navio de expedição MV Hondius antes da confirmação oficial do surto de hantavírus, doença que já deixou pelo menos três mortos ligados à embarcação.
O grupo desembarcou em 24/04 na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, e seguiu viagem para diferentes partes do mundo sem medidas iniciais de rastreamento sanitário. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, os passageiros são de ao menos 12 nacionalidades e viajaram para países como Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Singapura, Dinamarca e Austrália.
A mobilização internacional envolve autoridades da Europa, América do Norte, África e Ásia. O temor é que alguns passageiros tenham tido contato próximo com pessoas infectadas antes da identificação oficial do vírus a bordo.
O caso ganhou repercussão mundial após a confirmação de que o vírus envolvido é o Andes, uma variante rara do hantavírus encontrada na América do Sul e considerada a única com registros documentados de transmissão limitada entre humanos em contatos próximos e prolongados.
Apesar da preocupação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o risco global segue baixo. A diretora da OMS para preparação e prevenção de epidemias, Maria Van Kerkhove, declarou que a situação “não é o começo de uma epidemia” nem de uma pandemia.
Evacuação do restante dos passageiros
Enquanto os 29 passageiros já desembarcados seguem sendo rastreados, os demais ocupantes do MV Hondius devem passar por uma operação internacional de evacuação na Espanha.
Alemanha, França, Bélgica, Irlanda e Holanda confirmaram neste sábado (09/05) o envio de aeronaves para retirar seus cidadãos do navio. Os Estados Unidos também devem enviar aviões para resgatar passageiros americanos.
A embarcação deve chegar ao porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, entre a madrugada e a manhã deste domingo (10/05). Segundo autoridades espanholas, os passageiros só poderão desembarcar quando as aeronaves de seus respectivos países estiverem prontas para partir.
Todos os passageiros deverão usar máscaras, enquanto bagagens e os corpos das vítimas permanecerão no navio para posterior desinfecção na Holanda.
A previsão é que a evacuação ocorra entre domingo (10/05) e segunda-feira (11/05). Ao todo, passageiros e 17 tripulantes deixarão a embarcação em Tenerife, enquanto cerca de 30 tripulantes seguirão viagem até a Holanda.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou à Espanha para acompanhar a operação. Segundo ele, não há novos passageiros com sintomas no momento, embora a entidade admita que outros casos possam surgir devido ao longo período de incubação do vírus.
Como começou o surto
O navio partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 01/04, em uma expedição que passou pela Antártida e por ilhas remotas do Atlântico Sul.
O primeiro caso foi o de um passageiro holandês de 70 anos, que apresentou sintomas em 06/04 e morreu cinco dias depois. Inicialmente, o caso foi tratado como morte natural.
A situação mudou após a esposa dele, de 69 anos, também adoecer e morrer durante uma viagem à África do Sul. Exames confirmaram posteriormente a infecção por hantavírus.
Outra vítima, uma passageira alemã, apresentou sintomas no fim de abril e morreu em 02/05. Além das mortes, outros passageiros foram hospitalizados, incluindo um britânico transferido para a África do Sul em estado grave.
Segundo a OMS, ao menos oito casos ligados ao navio já foram identificados, entre confirmados, suspeitos e assintomáticos.
O que é o hantavírus
O hantavírus é transmitido principalmente por roedores infectados. A contaminação humana geralmente ocorre pelo contato com urina, fezes ou saliva contaminadas, especialmente em ambientes fechados e mal ventilados.
A infecção pode causar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, doença grave que afeta pulmões e coração e pode ter taxa de mortalidade elevada.
Os sintomas iniciais incluem:
- febre;
- dor de cabeça;
- dores musculares;
- náusea;
- vômito;
- dor abdominal.
Nos casos graves, a doença pode evoluir para:
- pneumonia;
- insuficiência respiratória;
- acúmulo de líquido nos pulmões;
- choque.
O vírus Andes, identificado no surto do MV Hondius, é considerado a única variante conhecida do hantavírus com possibilidade de transmissão limitada entre pessoas.
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