Donald Trump publicou nesta quarta-feira (29) uma montagem onde aparece armado com explosões ao fundo, pressionando o Irã por agilidade nas negociações. O presidente dos Estados Unidos declarou que “chega de bancar o bonzinho”. A Reuters revelou na terça-feira que Washington avalia retomar bombardeios contra alvos militares e políticos iranianos.
Trump divulgou na rede social Truth Social uma imagem manipulada em que aparece usando óculos escuros e portando um fuzil. A montagem contém a frase “chega de bancar o bonzinho”. Na mesma publicação, o presidente criticou a capacidade iraniana de negociar.
“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”, afirmou Trump.
A mensagem representa uma escalada retórica durante as negociações para finalizar a guerra no Oriente Médio. Trump está insatisfeito com a proposta mais recente apresentada pelo Irã para encerrar o conflito, segundo a Reuters e o “New York Times”.
Trump cancelou no fim de semana uma viagem do enviado especial Steve Witkoff e do genro Jared Kushner ao Paquistão. Os dois se encontrariam com autoridades iranianas. Trump afirmou que o encontro levaria “tempo demais”. Bastaria o Irã entrar em contato se quisesse negociar, disse o presidente.
Negociações estagnadas e análise de cenários
As negociações entre Washington e Teerã, intermediadas pelo Paquistão, estão estagnadas. Ambos os lados rejeitam propostas um do outro. Há desentendimentos sobre negociações presenciais.
Agências de inteligência dos Estados Unidos estão analisando como o Irã reagiria caso Donald Trump declare vitória na guerra. Três fontes ouvidas pela Reuters confirmaram o estudo. O objetivo é avaliar as consequências de um possível afastamento dos EUA no conflito.
Analistas da inteligência americana concluíram que o Irã poderia interpretar diferentes posturas dos Estados Unidos de formas distintas. Caso Trump declarasse vitória e reduzisse a presença militar dos EUA na região, o Irã provavelmente interpretaria a medida como um triunfo próprio, segundo uma fonte. Se os EUA declarassem vitória mantendo forte presença militar na região, o Irã poderia enxergar o gesto como uma estratégia de negociação. O regime não necessariamente veria isso como o fim da guerra.
Uma desescalada rápida poderia aliviar a pressão política sobre o presidente. Autoridades acreditam que o movimento fortaleceria o Irã. O país poderia retomar os programas nuclear e de mísseis no futuro. Aliados americanos na região também poderiam receber novas ameaças.
Nenhuma decisão foi tomada até o momento. Não há prazo definido para a conclusão da análise. Trump ainda poderia ampliar novamente as operações militares, segundo a Reuters.
Cessar-fogo e bloqueio no Estreito de Ormuz
EUA e Irã estão em um período de cessar-fogo. Vinte dias após Trump anunciar um cessar-fogo, esforços diplomáticos ainda não conseguiram reabrir totalmente o Estreito de Ormuz. O cessar-fogo pode estar com seus dias contados. A publicação presidencial e informações divulgadas pela Reuters indicam isso.
O Irã bloqueou parcialmente a passagem no Estreito de Ormuz ao atacar embarcações e instalar minas na região. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo local. A interrupção do fluxo elevou os custos de energia no mundo e os preços da gasolina nos Estados Unidos. A situação aumentou a pressão econômica sobre o governo americano.
Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, o Irã tem aproveitado o cessar-fogo para recuperar lançadores, munições, drones e outros equipamentos. Esses materiais haviam sido enterrados após bombardeios americanos e israelenses nas primeiras semanas do conflito.
A ofensiva americana contra o Irã teve início em 28 de fevereiro de 2026. Após o início da ofensiva, analistas concluíram que, se Trump declarasse vitória e reduzisse a presença militar dos EUA na região, o Irã provavelmente interpretaria a medida como um triunfo próprio, disse uma das fontes.
Um funcionário da Casa Branca descreveu como “enorme” a pressão interna para encerrar a guerra. No radar do governo está o temor de que a guerra provoque grandes perdas para o partido de Trump nas eleições legislativas deste ano.
Pesquisas de opinião mostram forte rejeição à guerra entre os americanos. Levantamento Reuters/Ipsos divulgado na semana passada apontou que apenas 26% dos entrevistados consideram que a campanha militar valeu o custo. Outros 25% disseram que ela tornou os EUA mais seguros.
Pessoas familiarizadas com discussões recentes na Casa Branca afirmam que Trump está atento ao impacto político do conflito para ele e para o Partido Republicano.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que os EUA continuam negociando com o Irã. O país não será pressionado a aceitar um acordo ruim. O presidente só aceitará termos que priorizem a segurança nacional e garantam que o Irã não terá armas nucleares, segundo ela.
As opções militares continuam oficialmente em análise, segundo a Reuters. Os Estados Unidos avaliam retomar bombardeios contra alvos militares e políticos do Irã. Uma redução da presença militar dos EUA combinada à suspensão do bloqueio poderia, no futuro, reduzir os preços dos combustíveis. Até agora, os dois lados seguem distantes de um acordo.
A diretora de assuntos públicos da CIA, Liz Lyons, afirmou que a agência não tem informações sobre a avaliação mencionada. A CIA não respondeu a perguntas específicas da Reuters sobre trabalhos atuais relacionados ao Irã. O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional se recusou a comentar.




