Bruno Rizzi
Bruno Rizzi Mais sobre o autor

Bruno Rizzi é sócio da consultoria Fatto Inteligência Política e analista político com mais de 10 anos de experiência. Com passagens pela gestão pública e pelo mercado financeiro, é especialista em conectar o setor privado às dinâmicas da política. Possui MBA pela FGV e é pós-graduando em História, Política e Sociedade pela Escola de Politica e Sociologia de São Paulo.

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BC trata liquidação do Digimais como cenário mais provável

Maioria do mercado avalia que a intervenção pode ocorrer até sexta-feira, enquanto autoridades monitoram impactos sobre a confiança no sistema financeiro

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Banco Digimais
Divulgação

Informação exclusiva obtida pela TMC aponta que o Banco Central trabalha, neste momento, com a liquidação do Banco Digimais como o cenário mais provável para a instituição financeira. A expectativa é de que uma decisão seja tomada até esta sexta-feira, embora outras alternativas ainda permaneçam em análise. 

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Nos bastidores, a avaliação predominante entre integrantes do mercado financeiro é de que a intervenção no banco se tornou praticamente inevitável, e agentes do setor afirmam não enxergar, neste momento, outro desfecho considerado viável.

A principal preocupação das autoridades, no entanto, vai além da situação específica do Digimais. O receio é de que uma eventual liquidação provoque efeitos sobre a credibilidade do sistema financeiro, especialmente após o episódio envolvendo o Banco Master. 

A avaliação é de que uma nova intervenção em uma instituição financeira reacenda questionamentos sobre a solidez de bancos de pequeno e médio porte, afetando a confiança de investidores e depositantes.

O Digimais é alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, que investiga supostos crimes contra o sistema financeiro nacional. A investigação ampliou a atenção do mercado sobre a instituição e intensificou as discussões em torno das alternativas consideradas pelo Banco Central para o caso.

Nos bastidores, um dos principais pontos em análise envolve os impactos financeiros para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade responsável por assegurar depósitos e investimentos de até R$ 250 mil por instituição financeira e por CPF, observado o limite global de R$ 1 milhão por CPF em um período de quatro anos. O fundo é acionado justamente para ressarcir investidores em casos de liquidação de instituições financeiras.

A discussão, entretanto, extrapola o custo direto de uma eventual intervenção. 

Após as operações envolvendo o Banco Master e o Will Bank, integrantes do mercado estimam que os compromissos já assumidos pelo sistema financeiro relacionados a essas instituições superam R$ 50 bilhões. Caso o Digimais também seja liquidado, esse montante poderá se aproximar de R$ 60 bilhões.

Uma das alternativas ainda avaliadas seria um aporte do FGC da ordem de R$ 7 bilhões para viabilizar uma solução de mercado, permitindo que o Digimais fosse adquirido ou incorporado por outra instituição financeira e evitando a liquidação. 

Na avaliação de agentes do setor, essa possibilidade reduziria os efeitos reputacionais para o sistema financeiro.

Por outro lado, caso a liquidação seja efetivamente decretada, o FGC também deverá desembolsar recursos em valor semelhante para garantir o reembolso dos investidores protegidos pelo mecanismo. Nesse cenário, a diferença financeira entre as alternativas seria relativamente pequena, razão pela qual o debate deixou de ser apenas contábil.

A avaliação predominante entre fontes do mercado é que o maior risco está na confiança. Uma nova liquidação, em sequência ao caso Banco Master, poderia ampliar a percepção de fragilidade entre instituições financeiras de pequeno e médio porte, levando investidores a questionarem a segurança de aplicações, especialmente em CDBs emitidos por esses bancos.

É justamente esse potencial efeito sistêmico que vem orientando as discussões entre autoridades e representantes do mercado.

Apesar de alternativas permanecerem sobre a mesa, interlocutores afirmam que as semelhanças entre a situação do Digimais e o caso Banco Master reforçam, neste momento, a percepção de que a liquidação segue como o cenário mais provável.

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