Mais de 100 pacientes que já fazem reabilitação pelo SUS no Rio aguardam a entrega de uma prótese para recuperar a mobilidade. Segundo relatos ouvidos pela reportagem da TMC, muitos já ultrapassaram em mais de um ano o prazo informado pela Prefeitura, que era de cerca de seis meses para concluir todo o processo de reabilitação e receber o equipamento.
Um deles é o cozinheiro Feliciano de Sousa. Amputado acima do joelho desde novembro de 2024, ele faz fisioterapia, mas continua sem qualquer previsão de quando vai receber a prótese.
“Eu estou na luta buscando os meus direitos como cidadão. Espero que o prefeito e o SUS tenham um posicionamento com relação à nossa situação, porque a fila não anda. Estou aguardando há mais de um ano e não há um posicionamento concreto. Dizem que está em licitação, só que não há transparência com relação a esse assunto.”
O caso dele não é isolado. O administrador Rodrigo Pereira teve a perna direita amputada em dezembro de 2024 por causa de um tumor e também aguarda a prótese há quase um ano e meio, mesmo após iniciar a reabilitação.
E o problema é ainda maior. Dados do Sistema de Regulação, o Sisreg, mostram que outras 389 pessoas aguardam uma vaga para reabilitação após amputações na rede municipal de saúde. Até maio deste ano, foram solicitadas 527 vagas para esse tipo de atendimento. Apenas 140 vagas foram disponibilizadas e 138 pacientes atendidos. O tempo médio de espera chega a 301 dias, quase dez meses.
As próteses são fornecidas pela Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação, a ABBR, instituição conveniada à Secretaria Municipal de Saúde. No início deste ano, a entidade chegou a solicitar o encerramento do contrato com o SUS, mas voltou atrás e permaneceu responsável pelo atendimento dos pacientes regulados pela rede municipal.
Enquanto pacientes aguardam por atendimento e pela entrega das próteses, a Prefeitura segue anunciando investimentos na área. Em março, foi inaugurado o Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste, em Campo Grande, que também passou a ser referência em reabilitação. Apesar da ampliação da estrutura, pacientes afirmam que o principal problema continua sem solução.
No dia 9 de junho, a Secretaria Municipal de Saúde informou à reportagem que uma licitação para a aquisição de novas próteses estava em fase final de tramitação. Mais de um mês depois, a reportagem voltou a questionar a pasta para saber se houve avanço no processo, se existe previsão para a entrega dos equipamentos e qual é a situação dos pacientes que aguardam. Até o momento, não houve resposta.
A reportagem também verificou que o Portal de Transparência do Sisreg apresenta informações desatualizadas. Dados como o tempo médio de espera e a lista de pacientes na fila não são atualizados desde o fim de 2025, o que dificulta o acompanhamento da demanda e da evolução do atendimento pela população.




