Um terço dos eleitores brasileiros afirma não ser nem de esquerda nem de direita, cenário que abre margem para o crescimento de candidatos fora da polarização tradicional. De acordo com os dados reunidos pela pesquisa da Alfa Inteligência, 65% dos brasileiros não se identificam ideologicamente nem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem com o senador Flávio Bolsonaro (PL), herdeiro político do pai.
A pesquisa revela que a taxa de eleitores que se identificam com o centro é de 9%. Contudo, o grupo mais expressivo fora da polarização é o daqueles que afirmam não ter nenhum posicionamento ideológico, que chega a 24%.
Apesar do distanciamento da maioria da população, os dados mostram que os principais pré-candidatos estão fortemente ancorados em suas bases. Lula concentra 77% dos eleitores que se dizem de esquerda, enquanto Flávio domina 76% do eleitorado de direita.
No entanto, os chamados “núcleos duros” — aqueles que se declaram estritamente lulistas ou bolsonaristas — representam apenas 12% da base eleitoral de cada um. A parcela mais diversa do espectro para ambas as correntes políticas soma 50%.

Para onde vai o centro?
Enquanto as eleições de 2018 foram marcadas por uma fragmentação dos eleitores de esquerda — divididos ao redor das candidaturas de Fernando Haddad, Ciro Gomes e Marina Silva —, o pleito de 2026 promete pulverizar o outro lado da disputa.
Enquanto Lula (PT) unifica os eleitores de esquerda, a direita se divide entre o núcleo bolsonarista e os demais candidatos. O representante da família Bolsonaro, Flávio, reúne 86% das intenções do eleitorado de direita. Porém, apenas 36% desse grupo pode ser classificado como estritamente bolsonarista.

Nas intenções de voto de possíveis nomes alternativos, como Ratinho Jr. (PSD) e Romeu Zema (Novo), a ala bolsonarista tem um peso menor do que a adesão dos eleitores de centro. O xadrez político, no entanto, passou por mudanças recentes.
Em março, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), foi o escolhido pelo partido para ser o pré-candidato à Presidência. Ainda não é possível medir como o eleitorado reagirá e se comportará diante dessa nova configuração.
Nordeste e Norte lideram com “sem ideologias”
O estudo também cruzou a autoidentificação política com o perfil dos eleitores, revelando contrastes importantes na forma como diferentes grupos da sociedade se enxergam. O Nordeste é a região onde a “Esquerda Lulista” tem sua maior força, atingindo 17%.
Enquanto isso, o Centro-Oeste desponta como o reduto da “Direita não bolsonarista”, concentrando 31% desse eleitorado. A pesquisa ainda mostra que a ausência de posicionamento ideológico atinge seus maiores índices no Nordeste (27%), Sul (26%) e Norte (26%).
Vale destacar ainda que os homens demonstram maior inclinação à “Direita não bolsonarista” (28%) enquanto as mulheres lideram o grupo das que afirmam não possuir nenhum posicionamento ideológico, somando 28%.




